Em ano eleitoral, a Paróquia São Vicente de Paulo, localizada no bairro Compensa, em Manaus, volta a desenvolver um trabalho de conscientização política junto aos moradores por meio do Movimento Fé e Política. A iniciativa, já realizada tradicionalmente pela comunidade em períodos de eleição, busca estimular a reflexão sobre a importância do voto e a responsabilidade dos cidadãos na escolha de seus representantes.
A mobilização envolve jovens e adultos e ocorre por meio de reuniões comunitárias, visitas e conversas com moradores do bairro. A proposta não está vinculada à promoção de partidos ou candidatos, mas à orientação dos eleitores para que o voto seja exercido com liberdade, responsabilidade e compromisso com o bem comum.
Durante os encontros, a comunidade estuda as diretrizes políticas elaboradas pela Arquidiocese de Manaus. Entre as orientações está a necessidade de conhecer a trajetória dos candidatos, observar sua conduta pública, verificar antecedentes e avaliar o compromisso efetivamente demonstrado com a população.
Para o movimento, a proximidade com as comunidades também deve ser considerada pelo eleitor. A presença de candidatos apenas durante o período eleitoral não deve substituir uma trajetória marcada pelo compromisso permanente com as necessidades da população.
Outro ponto abordado nas ações é o risco da eleição de pessoas comprometidas com interesses privados ou envolvidas com corrupção, grupos econômicos, tráfico de drogas ou crime organizado. A avaliação é de que, quando o exercício da política é utilizado para enriquecimento pessoal ou proteção de interesses criminosos, os efeitos recaem principalmente sobre a população mais pobre, com prejuízos para áreas como saúde, educação, moradia, segurança e outras políticas públicas.

No primeiro domingo de outubro, os brasileiros irão às urnas para escolher presidente da República, governadores, deputados federais e deputados estaduais. Para o Movimento Fé e Política, a decisão do eleitor ultrapassa a escolha dos nomes que ocuparão os cargos públicos, uma vez que os resultados das urnas também influenciam a distribuição dos recursos públicos, a proteção da Amazônia, as políticas sociais, as condições de trabalho e as perspectivas para as futuras gerações.
A desigualdade social também integra as reflexões promovidas pela comunidade. A expressiva diferença entre a remuneração dos representantes políticos e a realidade dos trabalhadores que sobrevivem com um salário mínimo é apresentada como um dos exemplos das desigualdades existentes no país. Para o movimento, a política não deve ser encarada como uma carreira de privilégios, mas como serviço público exercido com responsabilidade, sobriedade e transparência.
Nesse contexto, uma das principais mensagens levadas aos moradores é a necessidade de combater a compra e a venda de votos. A orientação é para que os eleitores busquem informações, comparem propostas, conheçam os candidatos e façam suas escolhas sem transformar o voto em moeda de troca.
A iniciativa considera que a consciência política é construída principalmente pela proximidade e pelo diálogo. Por isso, o trabalho acontece também nas ruas, nas conversas em frente às casas, nas reuniões comunitárias e nos encontros com grupos de jovens e adultos.
Para a comunidade, fé e participação política não devem ser compreendidas como realidades necessariamente separadas. A atuação do Movimento Fé e Política parte do entendimento de que a fé cristã também implica responsabilidade diante das questões sociais, especialmente da pobreza, da desigualdade e da defesa da dignidade humana.
O pároco da São Vicente de Paulo, padre Paolo Cugini, destaca que pequenas ações de conscientização podem contribuir para mudanças mais amplas na sociedade.
“Não podemos mudar tudo sozinhos, mas podemos semear a consciência. Podemos ajudar uma pessoa a não vender o seu voto, uma família a discutir assuntos com mais clareza, um jovem a compreender que a política não é apenas um lugar de escândalos, mas também um lugar onde se decide se a vida dos pobres será respeitada ou esquecida. É a partir destas pequenas sementes que pode crescer uma sociedade mais fraterna, mais transparente e mais fiel ao Evangelho da justiça”, destacou padre Paolo Cugini.
Com informações de Padre Paolo Cugini





































































