Wanderley Dallas propõe realização de Audiência Pública para ouvir pessoas adotadas que procuram pais biológicos

O presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), deputado estadual Josué Neto (PSD), concedeu ao deputado Wanderley Dallas (PMDB), Cessão de Tempo, durante Sessão Plenária desta quinta-feira (04), para discutir no Parlamento uma questão polêmica referente à adoção ilegal. O tema foi abordado por um grupo de brasileiros residentes na Europa que têm tido nos últimos anos problemas numa luta incansável para encontrar e reconhecer seus pais naturais.

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Presentes à cessão, a representante da Organização Não Governamental (ONG) Pessoas Desaparecidas, Liza da Silva, e o jovem amazonense Alfredo da Matta Kempen, de 27 anos, acompanhado da mãe adotiva, a holandesa Anna Catharina Kempen. Ele retornou ao Brasil com o objetivo de encontrar sua mãe biológica.

De acordo com o deputado Wanderley Dallas aproximadamente mil brasileiros entre adotados e desaparecidos estão tendo problemas em algum país europeu para onde foram levados. “Um dos problemas vivenciados por eles é o itinerário de adoção e a relação de parentesco biológico que não consta em suas documentações, o que dificulta o processo para que encontrem seus pais biológicos. As pessoas que trabalham no processo de adoção omitem esses detalhes como é o caso de Alfredo que teve sua adoção efetivada por um frade holandês Franciscus Cornelis Bouwman que quando fez a adoção não deu nenhuma informação sobre a mãe biológica de Alfredo”, contou o deputado.

Dallas informou que muitos casos iguais a esse ocorrem por todo o país. Ele propôs ao presidente da Comissão de Jovens Crianças e Adolescentes, deputado Carlos Alberto (PRB) para realizarem uma Audiência Pública para ouvir as mães as mães que procuram seus filhos e os filhos que procuram suas mães. “Vou fazer ainda um indicativo para a presidente da República, Dilma Rousseff (PT), através do deputado federal Marcos Rotta (PMDB), levando ao conhecimento da presidente essas denúncias apresentadas neste Poder e, com isso, sugerir mudanças na Lei de Adoção, mantendo nos registros dados precisos sobre os pais biológicos”, declarou Dallas.

De acordo com Liza Silva ela estava no Brasil exclusivamente para procurar a mãe biológica de Alfredo, mas que estava se tornando um processo muito difícil, pois na época muitas crianças foram adotadas por famílias holandesas sem nenhuma informação da família biológica, além de que muitos processos não foram legais, houve casos de compra e até mesmo de tráfico, ou seja, não ocorreu como determina a Lei.

“Hoje muitas dessas crianças estão passando por problemas de depressão e outros por que querem saber quem são seus pais, além de passarem por um problema comum na Holanda que é o caso de racismo, principalmente, devido a sua cor. Em alguns países isso não ocorre eles são até prestigiados por ser o Brasil a terra do samba e do futebol. Crianças adotadas nesse tipo de situação crescem com um bloqueio em sua mente e mais cedo ou mais tarde eles querem saber sobre sua família e querem a todo custo conhecer seus verdadeiros país”, explicou Liza Silva, representante da ONG Pessoas Desaparecidas Brasil e Holanda.

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