Tráfico de drogas apontado como maior causa de assassinatos de jovens no Estado

O tráfico de drogas foi apontado como a principal causa da morte de jovens no Amazonas durante Audiência Pública da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado Federal, que apura o assassinato de jovens no Brasil.

Manaus, AM - 04/09/2015 - Audiência Pública da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado sobre a chacina de 37 Jovens em Manaus em julho. Realizada na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), com a presença do relator da CPI, senador Lindbergh Farias (PT/RJ), da senadora Vanessa Graziontin (PCdoB), membro da Comissão, do senadores Omar Aziz (PSD-AM), José Medeiros (PPS-MT) , e do presidente da Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Legislação Participativa da Aleam, deputado José Ricardo Wendling (PT) e da deputada Alessandra Campelo (PCdoB-AM). Na ocasião Antônia Silva,  mãe da ex policial Deusiane da Silva Pinheiro, 26 encontrada morta, com um tiro na cabeça, nas dependências da Companhia Fluvial do Batalhão Ambiental, localizado no bairro Tarumã, na Zona Oeste, e a advogada da família Martha Gonzales pediram a federalização do crime. (Fotos Alberto César Araujo/Aleam)
. (Foto Alberto César Araujo)

A audiência aconteceu na manhã desta sexta-feira (4) no plenário Ruy Araújo, da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), com a participação do relator da CPI, senador Lindbergh Farias (PT/RJ), e dos senadores do Amazonas, Omar Aziz (PSD) e Vanessa Grazziontin (PCdoB).

Segundo  Lindbergh Farias, que é autor do requerimento que resultou na realização da audiência em Manaus, o Brasil é campeão mundial em homicídios, e os jovens estão em maior número entre as vítimas, por isso a Comissão está percorrendo os Estados para entender a causa dessas mortes. O motivo que trouxe a comissão ao Amazonas, ainda segundo ele, foi morte de 36 pessoas em menos de uma semana no final do mês de  julho passado.

“Somos campeões mundiais de assassinatos. Em 2013 foram 56 mil assassinatos, mais da metade de jovens. Os números no Amazonas são semelhantes, mas o que chamou a atenção foi essa chacina, que resultou em 36 mortes. A CPI quer entender o que aconteceu e quer iniciar uma campanha nacional pela redução do número de homicídios no Brasil. De cada cinco pessoas assassinadas no mundo, uma é brasileira, não podemos aceitar esse número como normal”, afirmou Lindbergh.

Durante a audiência, o senador Omar Aziz (PSD), que foi governador do Estado, disse que o tráfico de drogas é a principal causa da morte de jovens no Amazonas, assim como em outros Estados. Para ele, é necessário intensificar o combate ao tráfico, principalmente nas fronteiras, e intensificar políticas de tratamento de usuários. Disse ainda que no Amazonas o número de morte de jovens é menor, se comparado a outros Estados que possuem a mesma proporção, e que o episódio que resultou na morte dos 24 jovens foi uma situação atípica.

Opinião semelhante apresentou a senadora Vanessa Grazziotin que disse que são necessárias mudanças no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), como o aumento do tempo de internação, e medidas de recuperação desses jovens, já em discussão no Senado.

Também participaram da audiência os deputados estaduais David Almeida (PSD), Bi Garcia (PSDB), Dermilson Chagas (PDT), Luiz Castro (PPS), Alessandra Campêlo (PCdoB), Augusto Ferraz (DEM), Carlos Alberto (PRB) – presidente da Comissão de Crianças e Adolescentes da Aleam —, José Ricardo (PT) – presidente da Comissão de Direitos Humanos da Aleam, e Sinésio Campos (PT), além do vereador Waldemir José (PT), e representantes da Secretaria de Segurança Pública (SSP), Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), Polícias Militar (PM-AM) e Civil (DGPC), Procuradoria Geral de Justiça (PGJ) do Amazonas, Defensoria Pública (DPE-AM), e ainda entidades de representação da juventude amazonense.

Os dados, sugestões e denúncias feitas à CPI serão levadas para discussão no Senado, e farão parte do relatório da Comissão, segundo o relator Lindbergh Farias. A população também pode fazer sugestões, denúncias e perguntas à comissão por meio do Portal e-Cidadania do Senado (www.senado.leg.br/ecidadania) e do Alô Senado (0800-612211).

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