Região Norte registra maior número de casos de tráfico humano do Brasil

CMM

Metade dos casos de tráfico de pessoas registrados no país está na Região Norte. E municípios amazonenses, como Iranduba, Parintins, São Gabriel da Cachoeira e Santarém (PA), onde o turismo é mais intenso, aparecem entre as localidades com maior incidência do crime. Os dados foram apresentados na Câmara Municipal de Manaus (CMM), nesta terça-feira (2), pelo grupo religioso da Conferência dos Religiosos do Brasil, Regional Amazonas (AM) e Roraima (RR) – Rede Um Grito pela Vida, durante a instalação da Frente Parlamentar de Prevenção e Combate ao Tráfico Humano, promulgada por meio da Resolução 004/2014, de autoria do vereador Professor Bibiano (PT).

De acordo com a apresentação das Irmãs Fátima Barbosa e Santina Perini, na Região Norte, há fortes indícios de que as rotas possuem conexões com o crime organizado, sobretudo com o tráfico de drogas, o que vem a reforçar o envolvimento dessas atividades com o tráfico de seres humanos, tendo como locais de aliciamento em Manaus, os bares e boates do município, embarcações turísticas, Porto Manaus Moderna, Praça da Matriz, salões de beleza, porta das escolas, praias do Rio Negro.Naeff Ribeiro Silva, pai do menino que teve os rins retirados em um pronto socorro local no ano passado, também relatou caso durante cessão de tempo na Casa

Atualmente, no Brasil, o tráfico de pessoas é a maior ‘fonte de renda’, superando os tráficos de drogas e de armas. Quase 36 milhões de homens, mulheres e crianças – 0,5% da população global – vivem em situação de escravidão moderna no mundo, segundo levantamento divulgado pela organização de direitos humanos Walk Free Foundation. “No Brasil, o tráfico de pessoas está em primeiro lugar e movimento 32 bilhões de dólares por ano. Esse dinheiro dá lucro com esse crime”, acrescentou Irmã Santina.

A organização calcula em 35,8 milhões o número de pessoas escravizadas no país, uma alta de 20% em relação a 2013, apesar desta projeção não ser atribuída a um aumento real dos casos e sim a uma metodologia mais apurada.

Segundo dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC/2012) revelam que 58% são exploração sexual, 36% trabalho forçado e 6% tráfico de órgãos, distribuídos em várias modalidades como: mendicância; adoção irregular; exploração sexual; trabalho escravo, entre outros crimes acometidos entre homens, mulheres crianças em situação de vulnerabilidade social, indígenas, afrodescendentes, refugiados e imigrantes ilegais, que se encontram praticamente em Casas de shows, bares, praias, falsa agências de encontros, matrimônios e modelos, Internet, escolas. shopping center, portos e pequenas cidades.

Ainda conforme informações repassadas, os países onde mais brasileiros vítimas de tráfico de pessoas foram encontradas são: Suriname, Suíça, Espanha e Holanda. O país onde foi registrada uma incidência maior de brasileiros e brasileiras vítimas de tráfico de pessoas foi o Suriname (que funciona como rota para a Holanda), com 133 vítimas, seguido da Suíça com 127, da Espanha com 104 e da Holanda com 71. O tráfico de pessoas movimenta anualmente 32 bilhões de dólares em todo o mundo. Desse valor, 85% é oriundo da exploração sexual.

De acordo com informações de Naeff Ribeiro Silva, pai do menino que teve os rins retirados em um pronto socorro local no ano passado, também presente na discussão, a criança deu entrada no hospital com dores abdominais, e por consequências, ainda não esclarecidas, o menino veio a óbito. Inconformado com a morte de seu filho, Naff pediu outro laudo do Instituto Médico Legal (IML), no qual foi comprovado que os médicos que realizaram a cirurgia retiraram os rins da criança sem autorização dos pais. Além disso, no laudo, foram encontrados restos de tecido de compressa no local da cirurgia. “Já abri sindicância contra o Conselho Regional de Medicina e dei entrada no processo civil, estou aguardando o resultado para este caso”, disse Naeff ao pedir apoio da Frente Parlamentar no Combate ao Tráfico de Pessoas.

Entre outros casos, Irmã Fátima apresentou o caso de exploração sexual ocorrido com uma jovem amazonense, que foi vendida pelo avô. A adolescente, segundo Fátima, foi parar na Itália, conseguiu voltar ao Brasil muito fragilizada. “Elas denunciou o caso às autoridades e a Polícia Federal, porém ficou sem resposta por muito tempo, e só agora o processo caminha”, citou Irmã Fátima.

O tema em questão ganhou apoio dos demais vereadores, entre eles: Waldemir José (PT), que ressaltou o apelo da Igreja Católica, em relação ao tráfico de pessoas como tema da Campanha da Fraternidade deste ano. “A Igreja Católica cumpriu um papel importante em divulgar o tema”, disse o parlamentar. Elias Emanuel (PSB) disse que a iniciativa e a presença das Irmãs e todos aliados a essa luta é fundamental. “Temos que entender que o Amazonas é uma rota fácil para esse crime. Temos uma rodoviária, aeroportos e rios que precisam de fiscalização”, ressaltou Socorro Sampaio (PP).

 

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