Prefeitura de Manaus intensifica ações contra a hanseníase na campanha ‘Janeiro Roxo’

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Fotos - Divulgação/Semsa

Um mutirão de serviços de saúde, promovido pela Prefeitura de Manaus, nesta segunda-feira, 12/1, marcou a abertura oficial da campanha “Janeiro Roxo”, que promove a mobilização da sociedade para a prevenção e controle da hanseníase. A programação foi realizada na sede do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), bairro Colônia Antônio Aleixo, zona Leste.

Durante o evento, coordenado pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), com o apoio do Morhan, houve a oferta de consultas em clínica geral, dermatologia e pediatria, além de vacinação e testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites virais.

A diretora do Distrito de Saúde (Disa) Leste, Rosângela Castro, informou que a campanha segue até o final de janeiro, com as unidades de saúde intensificando a oferta dos serviços direcionados para a prevenção e diagnóstico em tempo oportuno dos casos de hanseníase.

“Um dos focos é a promoção de rodas de conversa com a comunidade nas unidades de saúde. Muitas vezes, a comunidade não sabe o que é a hanseníase e é importante esclarecer, informar sobre os sintomas e a importância do diagnóstico precoce. Também é uma forma de combater o preconceito que ainda existe. A hanseníase tem cura e tratamento, e não há necessidade de se isolar ou afastar as pessoas com a doença”, afirmou Rosângela Castro.

O coordenador do Morhan/Amazonas, Vilmar Souza da Costa, destacou a importância da campanha “Janeiro Roxo” na conscientização e combate ao preconceito em relação aos pacientes com hanseníase.

“Enquanto instituição, estamos aqui para informar a comunidade que a hanseníase tem cura e o preconceito também. A discriminação ainda existe, não tanto como antigamente, e estamos aqui para mostrar que o preconceito só prejudica o controle da doença, não leva informação e só atrapalha o tratamento e cura”, alertou o coordenador.

Além das ações de educação em saúde, todas as unidades de saúde estarão intensificando a oferta de avaliação clínica para identificar casos suspeitos, de exames dermatológicos, aplicação do Questionário de Suspeição da Hanseníase (QSH) e testagem de pessoas que são contatos de pacientes com confirmação da doença

O município de Manaus registrou no ano passado 106 casos novos de hanseníase, incluindo dez diagnosticados em menores de 15 anos, o que evidencia a manutenção da transmissão ativa da doença, em especial entre os familiares.

De acordo com a chefe do Núcleo de Controle da Hanseníase (Nuhan/Semsa), enfermeira Ana Cristina Malveira, a hanseníase, causada pelo Mycobacterium leprae, tem como uma das características a evolução lenta, com um período de incubação em média de dois a sete anos, o que significa que sinais e sintomas podem demorar a surgir, dificultando o diagnóstico precoce.

“Há casos na literatura com até 20 anos para o início dos primeiros sintomas, a partir da infecção pelo bacilo que causa a doença. Então, é importante diagnosticar precocemente o maior número possível de casos e iniciar o tratamento para evitar sequelas e interromper a cadeia de transmissão”, esclarece Cristina Malveira.

A enfermeira lembra que a hanseníase é uma doença dermato-neural, em que as manifestações na pele surgem depois que os nervos foram afetados, o que leva às limitações físicas.

“A hanseníase é uma doença incapacitante que pode deixar sequelas quando o diagnóstico é tardio. O paciente pode sofrer com dores, câimbras, dificuldade em pegar uma colher e abotoar a roupa. Quando o diagnóstico é precoce, reduz o risco de sequelas e é possível evitar novos casos, já que o paciente deixa de transmitir 72 horas após iniciar o tratamento”, informou Cristina Malveira.

A transmissão da hanseníase ocorre de uma pessoa infectada pelo bacilo (sem tratamento) para uma pessoa sadia, por meio de gotículas de saliva eliminadas na fala, tosse ou espirro. As chances de transmissão são maiores quando o contato com a pessoa doente é próximo e prolongado.

“Não é uma transmissão fácil, como casos de viroses. Exige um contato próximo e prolongado, como por exemplo, famílias que vivem na mesma residência, no trabalho e na escola. E nem todas as pessoas que são contatos do paciente com a doença confirmada vão desenvolver a doença, depende de vários fatores”, esclareceu a enfermeira.

Uma das estratégias usadas no controle da hanseníase é o teste rápido, disponível em 12 unidades de saúde habilitadas para a realização do exame e que é usado na detecção de anticorpos específicos contra o bacilo causador da doença, indicado para pessoas que são contatos de pacientes diagnosticados com hanseníase.

Cristina Malveira ressaltou que a oferta do teste rápido representa uma importante vantagem para o controle da doença em Manaus, já que possibilita a triagem ágil de contatos de casos confirmados, com resultado rápido, fácil execução na atenção primária e sem necessidade de estrutura laboratorial complexa.

“O teste permite identificar pessoas com maior risco de adoecimento e direcionar o acompanhamento clínico e a vigilância ativa por vários anos, contribuindo para o diagnóstico mais precoce e a redução das incapacidades físicas e da transmissão”, afirma Cristina Malveira.

Os sintomas da hanseníase incluem: manchas na pele esbranquiçadas, amarronzadas ou avermelhadas, em qualquer parte do corpo, com perda de sensibilidade ao calor, ao frio, a dor e ao tato, que são mais frequentes nos braços, pernas e costas, mas podem aparecer no corpo inteiro.

Também podem surgir sensação de fisgada, choque, dormência, câimbras e formigamento em algumas áreas dos braços, mãos, pernas ou pés; inchaço e dor nas mãos, pés e articulações; diminuição do suor e dos pelos, principalmente nas sobrancelhas; redução da força muscular, sobretudo nas mãos (dificuldade para segurar objetos) ou nos pés.

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