Manaus ganha os holofotes do mundo em jornal britânico

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Manaus ganha os holofotes do mundo e desta vez repercutiu em um artigo especial no jornal britânico ‘The Telegraph’, um dos principais do Reino Unido. O texto intitulado ‘Legado da Copa do Mundo no Brasil: o carnaval dos animais na Amazônia’ retrata os dias da correspondente Donna Bowater durante o mês de outubro na capital amazonense, quando Manaus celebrou 345 anos em meio a um conceito surpreendente até mesmo para quem é de fora. O texto pode ser lido no link http: http:///www.telegraph.co.uk/travel/destinations/southamerica/brazil/11305060/Brazils-World-Cup-legacy-carnival-of-the-animals-on-theAmazon.html

Bowater retrata a cidade com uma paixão indescritível pela floresta, os costumes e a arquitetura manauara. “Fiquei encantada com a floresta, o rio, a comida, a cultura, mas, sobretudo, com os manauaras que sempre me recebem com um carinho enorme. Achei um povo bem receptivo, simpático e caloroso”, disse a jornalista em entrevista à Prefeitura de Manaus.

Ela veio à cidade pela terceira vez. A primeira foi em 2013 para acompanhar a preparação da Copa do Mundo em Manaus, a segunda durante o mundial e depois voltou em outubro para conhecer de perto a tradição em que vive a cidade em ascensão nos roteiros turísticos do mundo.

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“Não tenho planos para voltar em breve por causa do trabalho no Rio, mas gostaria muito de passar alguns meses em Manaus para fazer a cobertura jornalística de uma região que merece ser mais conhecida no mundo que tem uma característica única, com um mistério e uma mágica aos olhos dos estrangeiros. É sempre uma curiosidade conhecer algo assim, pois não existe em outras partes do mundo”, declarou a jornalista que mora há pouco mais de dois anos no Brasil, mais exatamente na capital do Rio de Janeiro (RJ).

O artigo fala das experiências vividas pela jornalista em toda a programação realizada pela Prefeitura de Manaus para o aniversário da cidade. Donna acompanhou os Circuitos Culturais que contou com diversas atrações locais, nacionais e internacionais e pode ver de perto toda a agitação do “dois pra lá, dois pra cá” no Boi Manaus – que foi levado também para a zona Leste da capital e teve seu encerramento com um show cênico no estádio considerado o mais bonito do Brasil.

Entre todos os aspectos citados, o artigo relata a cultura manauara em relação ao boi-bumbá e como as pessoas se inspiram para brincar ao som de toadas durante o mês de outubro. O texto também fala dos bumbás Garantido e Caprichoso e do Festival Folclórico de Parintins, mas que as cores são os que mais impressionam – tudo lembra a Amazônia. É uma quebra de paradigmas, que impressiona quem não conhece. “Além disso, o Boi é uma coisa que muitos brasileiros mesmo não conhecem, por isso, é algo especial e eu acho que é importante reconhecer raízes de uma cidade”, disse Bowater.

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De acordo com o diretor-presidente da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), Bernardo Monteiro de Paula, o artigo só demonstra o quanto somos valorizados mundo afora. “Enquanto alguns manauaras não reconhecem a cidade com um verdadeiro potencial turístico e cultural, muitos visitantes se apaixonam por tudo o que nós temos. Nossa cultura é diferente e encanta a todos. O artigo é mais uma prova de que estamos caminhando para o lado certo, potencializando a cidade e fazendo com que outras pessoas no mundo tenham vontade de nos conhecer”, observou.

Ainda na opinião da jornalista, Manaus só tem a crescer. “Eu acho que Manaus tem bastantes atrações e razões suficientes para que os turistas a visitem, só precisa garantir mais a capacidade em infraestrutura, capitalizando a oportunidade ganhada com a Copa para obter mais reconhecimento”, finalizou a nova apaixonada pela Capital da Amazônia.

 

Leia a seguir o texto na íntegra traduzido para o português.

Legado da Copa do Mundo no Brasil: o carnaval dos animais na Amazônia

O estádio da Copa em Manaus recentemente sediou o Boi, festival típico da cidade. Donna Bowater se juntou à festa.

No dia de Natal fará exatamente seis meses desde que o último rugido da multidão ocorreu na Arena da Amazônia, após a derrota de 3-0 da Suíça sobre Honduras na Copa do Mundo Brasil de 2014. O estádio em Manaus, no coração úmido da Amazônia, atraiu críticas por sua localização remota, o calor entorpecente e a falta de uma cultura futebolística local. No entanto, a cidade foi um enorme sucesso com os fãs, incluindo torcedores ingleses, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Ministério do Turismo.

Do avião, eu podia ver o porquê. Conhecida ao mesmo tempo como a “Paris dos trópicos”, Manaus tem uma sensação inesperada de grandeza europeia sobre o assunto, reforçada por uma arquitetura extraordinária. Depois, há a localização. A cidade está localizada a apenas uma curta viagem de barco a partir do “Encontro das Águas”, onde a tinta do Rio Negro se reúne com as barrentas do Rio Solimões para formar o Rio Amazonas. Olhando para fora do meu hotel estava a edênica floresta tropical que circunda a cidade, eu estava apaixonada. Emoldurada por folhas de palmeiras, o brilho do pôr do sol fez a vegetação a quilômetros de distância parecer surreal, suas matizes verdejantes mais numerosas do que eu poderia imaginar.

“Nós não temos 50 tons de cinza aqui”, brincou Marcus Pessoa, um manauara que conheci. “Temos 50 tons de verde.”

Pareceu-me que Manaus tinha 50 tons de todas as cores, começando com seu ocre lamacento terra, o Teatro Amazonas cor salmão e seus botos cores de rosa. Mas, como naquele dia quente e úmido em Junho, quando o carmesim suíço e cobalto hondurenho dividiu o estádio, as duas cores que dominaram a cidade eram vermelho e azul. Logo aprendi que quase todo mundo em Manaus tem uma fidelidade a um dos dois times rivais que fizeram a performance no estádio – Garantido (vermelho) ou Caprichoso (azul) – que tomam as ruas da cidade no mês de outubro. Os dois lados compreendem as mais conhecidas histórias da região contadas no festival do Boi – uma narrativa popular, centrada no boi, que tece ritual espírita com a religião e superstição indígena.

A história diz que Francisco, um homem do campo, matou o boi mais amado na fazenda para satisfazer o desejo da esposa grávida que queria comer língua de boi. Ele foi punido e levado para a prisão. O pajé ou xamã, então, ordenou a população a organizar festas e festas que, alegres o suficiente, pois assim poderia trazer o boi de volta à vida. Eles fizeram, e Francisco foi perdoado. A história é reconstituída em todo o Brasil, na música e na dança, especialmente nos estados do Norte tropical.

A cada 24 de outubro, os ritmos e cores do Boi vão a Manaus, capital do estado do Amazonas, para comemorar o aniversário de sua fundação que este ano celebrou 345 anos. O Boi Manaus, como o evento gratuito é conhecido, é tradicionalmente realizado no Sambódromo da cidade, uma arena também usado para desfiles de carnaval. Este ano, para fazer uso da Arena da Amazônia e capitalizar sobre novo perfil internacional da cidade, o evento também contou com uma cerimônia de encerramento brilhando no estádio de futebol. A atração final foi o Garantido e Caprichoso, bois de Parintins, uma cidade a pouco mais de 300 quilômetros a leste de Manaus, que possui o seu próprio festival folclórico mundialmente famoso e que ocorre todo mês de junho.

Eu estava curiosa para ver como a metrópole se envolveria em uma celebração tão tradicional e pastoral originária da floresta – e no Sambódromo, eu tive minha primeira degustação da festa. Alegorias do Boi que representam os dois lados desfilaram em trios elétricos com espectadores que percorriam a multidão, dançando com os artistas. Acessórios em vermelho e azul com a imagem onipresente do Boi estavam à venda, juntamente com pratos amazônicos tradicionais, como tacacá, uma sopa azeda feita com caldo de tucupi, camarões e jambú, um erva entorpecente que adormece a boca.

A atmosfera no Sambódromo estava relaxada e o que me surpreendeu foi o quão acessível era: o evento foi gratuito, as limitações eram poucas e as danças eram simples. “É lindo”, disse Lene Monteira, um comerciante no Sambódromo. “Todo mundo aqui adora. Samba é para o Carnaval, mas esta dança é para Boi -. É uma cultura diferente “.

Como o clímax sem precedentes no estádio se aproximou, havia uma sensação palpável de antecipação. Segundo a polícia, eles estavam se preparando para o evento com as mesmas medidas de segurança que tiveram durante a Copa do Mundo. Três meses depois, foi a primeira vez que o estádio tinha sido utilizado para a sua plena capacidade.

Na ausência de uma cultura futebolística, as autoridades têm atraído público para o estádio com partidas dos maiores times do Rio de Janeiro e São Paulo para jogar partidas estilo show futebolístico e atrair multidões. Outro plano é fazer com que o estádio de 44.000 lugares seja um palco para shows de grandes nomes e concertos. Ele já recebeu a estrela pop brasileira Ivete Sangalo e há rumores de que o Guns N ‘Roses pode realizar show no próximo ano.

Por enquanto, porém, eventos como o Boi Manaus são a melhor maneira de garantir a viabilidade do estádio – e moradores e visitantes estavam de acordo. A arena começou a encher-se a partir das oito horas da noite, a multidão igualmente dividida entre azul e vermelho. Quase todo mundo estava usando cores vivas com os “Tururis”, tradicionais camisas da festa, mostrando suas alianças, enquanto as mulheres usavam cocares vermelhos ou azuis tradicionais. No palco, o elenco exótico incluía personagens da lenda Boi, como a sacerdotisa ou cunhã-poranga (“linda mulher”, na língua tupi nativa) e o chefe supremo da tribo, o Pajé.

Os trajes são inspirados na tradição indígena, refletindo as cores da flora e fauna da Amazônia com guirlandas de penas e coroas de dentes brilhantes de animais. Mas apesar de toda a plumagem, ossos ornamentais e pintura no rosto, o maior espetáculo foi a audiência. Como uma “Amazonian Rocky Horror Show”, milhares de manauaras estavam acompanhando o que estava acontecendo no palco.

Com ondas de espectadores em performance com os grupos de Boi, a divisão entre espectador e participante desapareceu, transformando toda a arena em uma onda teatral. Enquanto a multidão ficou muito aquém do esperado 44.000, aqueles que estavam presentes brincaram com entusiasmo e um forte senso de orgulho cívico.

Mas o festival é apenas uma das muitas razões para visitar Manaus. A maioria dos operadores turísticos da Amazônia é baseada na capital, proporcionando a oportunidade de explorar a floresta em um cruzeiro fluvial. No próprio espaço verde da cidade, o Parque do Mindu, atravessado por trilhas e passarelas elevadas, os visitantes podem achar o macaco típico da região: sauim-de-coleira, típico de Manaus e praticamente extinto na Amazônia.

Depois, há a casa de ópera deslumbrante, ou Teatro Amazonas, construído sob a administração de Eduardo Ribeiro, um homem negro nascido para libertar escravos: o primeiro governador eleito do Amazonas apenas dois anos após a abolição da escravatura. Manaus também tem uma praia de areia branca, embora com água cor de chá. Enquanto eu dançava à meia-noite com os foliões Boi Manaus, e fogos de artifício marcaram mais um ano na rica história da cidade, parecia que não estávamos celebrando apenas o renascimento do Boi, mas, graças à Copa do Mundo, uma cidade que ganha os holofotes.

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