A primeira-dama Rosângela Lula da Silva afirmou que desistiu de desfilar na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, neste domingo (15), para evitar o que classificou como possível “perseguição” à escola de samba que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo nota divulgada por sua equipe, Janja tinha “toda a segurança jurídica” para participar da apresentação, mas decidiu não atravessar a avenida diante da possibilidade de questionamentos políticos em ano eleitoral.
“Mesmo com toda segurança jurídica para desfilar, diante da possibilidade de perseguição à escola e ao presidente Lula por receber uma das maiores honrarias que um brasileiro pode ter, que é ser homenageado por uma escola de samba, Janja optou por não desfilar para estar ao lado da pessoa que mais ama na vida”, informou a assessoria.
A primeira-dama estava prevista para integrar o último carro alegórico da Acadêmicos de Niterói, no Sambódromo do Rio. Ela participou de ensaios e era aguardada pela comunidade da agremiação.Com a desistência, o espaço foi ocupado pela cantora Fafá de Belém.
De acordo com a manifestação oficial, Janja desceu à concentração para apoiar a escola e, em seguida, retornou ao camarote para acompanhar o desfile ao lado do presidente.
Lula assistiu à apresentação do camarote da Prefeitura do Rio, ao lado do prefeito Eduardo Paes e de ministros. Em determinado momento, desceu à pista para cumprimentar integrantes da escola. O presidente deixou a Sapucaí por volta das 4h50, acenando pela janela do carro, sem falar com a imprensa.
Enredo da Escola de Samba e debate jurídico
O enredo da Acadêmicos de Niterói, intitulado “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, retratou a trajetória pessoal e política do presidente da infância no Nordeste à chegada ao Palácio do Planalto com referências à atuação sindical, políticas públicas e programas sociais.
A possibilidade de participação da primeira-dama foi discutida nos dias que antecederam o desfile e passou por avaliação jurídica. O desfile ocorreu em ano eleitoral, a pouco mais de sete meses da disputa, o que levou aos opositores a questionarem eventuais impactos eleitorais.
Partidos da oposição acionaram a Justiça sob o argumento de propaganda antecipada. Por unanimidade, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou dois pedidos de liminar apresentados pelo partido Novo e pelo partido Missão contra Lula e a escola de samba. A Corte entendeu que, até o momento, não há elementos concretos que indiquem campanha antecipada nem indícios suficientes de irregularidade.
Nos bastidores, integrantes do governo vinham adotando cautela na participação em eventos de Carnaval. Na semana anterior, a Comissão de Ética da Presidência fez recomendações sobre a presença de autoridades nas festividades, com o objetivo de assegurar o cumprimento das regras administrativas e eleitorais.






































































