Governo do Amazonas investe em novo modelo de gestão e informatização da coleção de peixe da Ufam

Com o estudo, a coleção saltou de 396 para 601 peixes tombados, um incremento de 206 espécies

Implantar processos de gestão e informatização da coleção e peixes da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) está entre os objetivos da pesquisa – “Coleção ictiológica regional da Ufam: bases para sua ampliação, modernização e popularização da ciência”, coordenada pela pesquisadora e engenheira de Pesca doutora Kedma Cristine Yamamoto. O estudo tem o apoio do Governo do Estado, por meio do Programa Coleções Biológicas – Edital 008/2019 da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

O Programa Coleções Biológicas/Museus apoia, com recursos financeiros e bolsas, projetos que visem dar suporte à organização, informatização, gestão e divulgação de coleções biológicas institucionais e de museus já existentes e consideradas estratégicas para o estado do Amazonas em instituições públicas ou privadas, sem fins lucrativos.

De acordo com a coordenadora, o foco principal foi implantar um processo de gestão e informatização da coleção regional de peixes, que no passado era realizado manualmente, além de inventariar e aumentar o número de espécies de peixes depositados, organizar a informação e o conhecimento em uma base de dados, capacitar recursos humanos na área de taxonomia de peixes. Com o estudo o número de peixes saltou de 396 para 601 peixes tombados, um incremento de 206 espécies.

“Estamos na fase final de tombamento, mas podemos dizer que com o apoio da Fapeam, este número só tende a aumentar à medida que novas áreas forem inventariadas. A chegada de novas espécies na coleção é ilimitada, um processo contínuo, principalmente quando se trata de Amazônia”, disse Kedma Cristine Yamamoto.

As localidades selecionadas no projeto foram a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé (Manaus), a Ilha da Paciência em Iranduba (27 quilômetros de distância de Manaus), e São Gabriel da Cachoeira (distante 852 quilômetros de Manaus), com coletas em ambientes variados como igarapés, praias e lagos.

Metodologia

Conforme explicou a coordenadora, os exemplares oriundos das coletas de campo foram tombados na coleção de peixes recebendo as seguintes informações: um código único (sigla da instituição e número sequencial, a partir do último lote tombado), dados taxonômicos em sistema binomial e dados referentes às coletas (coordenadas geográficas do local de coleta, nome do coletor, localidade de captura, número de indivíduos, data da coleta, apetrecho utilizado e ambiente).

“Para modernizar a gestão e popularização da informação dos peixes tombados na coleção, está sendo montada uma base de dados para ser disponibilizada ao público externo por meio de consulta fácil através da internet e rede social do laboratório @labictiologia”, adiantou.

Kedma Cristine defende que as coleções biológicas contribuem para preservar a biodiversidade de uma nação através dos seus exemplares depositados. “A Coleção Regional de Peixes da Ufam, vinculada ao curso de Engenharia de Pesca – Faculdade de Ciências Agrárias tem o desafio de iniciar essa tarefa árdua de representar a diversidade de peixes da maior bacia hidrográfica do mundo, a bacia amazônica. E é claro que esta iniciativa representa uma semente que esperamos florescer e perdurar por longas gerações dentro da universidade”, completa.

Impactos

Além de impactar diretamente na preservação da biodiversidade, todo o trabalho da equipe também resultou na publicação de 16 artigos em eventos científicos, entre os quais, a orientação de uma bolsa de apoio técnico (nível médio), sete projetos de iniciação científica, um projeto de extensão, dois trabalhos de conclusão de curso, dois estágios supervisionados obrigatórios (curso de Engenharia de Pesca) e uma dissertação de mestrado no curso de Ciência Animal e Recursos Pesqueiros (PPGCARP/UFAM, em andamento) totalizando 14 acadêmicos.

Outro reconhecimento e impacto positivo para os acadêmicos envolvidos no projeto foram: projetos de Iniciação Científica: 2021 – Prêmio Professor Abraham Moysés Cohen, Melhor Projeto do Programa de Iniciação Científica, Área de Ciências Agrárias, Propesp/Ufam; Diversidade de peixes de troncos em igarapés da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé, discente Montgomery Garrido da Silva; Menção Honrosa projeto Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica de (Pibic), Estrutura trófica das assembléias de peixes de igarapés da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé, Manaus – AM, discente Montgomery Garrido da Silva, Propesp/Ufam Congresso de Iniciação Científica (XXIX Conic).

Entre outros trabalhos de pesquisas premiados, que tiveram o apoio da Fapeam está o “Consumo de sementes por um bagre em floresta de igapó na reserva de desenvolvimento sustentável do Tupé, Amazonas”, 1º lugar “IV Seminário Conectando rios e pessoas. A problemática dos plásticos nos ecossistemas de água doce”.

 “Nossa equipe foi muito produtiva e comprometida, fato este que apresentamos e publicamos 16 artigos em eventos científicos, fruto de resultados gerados a partir do projeto principal”, finaliza.

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