Eirunepé no Amazonas é conhecida como a “Capital do Juruá”

Eirunepé é um município brasileiro no interior do estado do Amazonas, Região Norte do país. Pertencente à Microrregião de Juruá e Mesorregião do Sudoeste Amazonense, localiza-se a sudoeste da capital do estado, distando desta cerca de 1 160 km.[2] Ocupa uma área de 15 832 km², sendo que 4,3172 km² estão em perímetro urbano,[5] e sua população foi estimada no ano de 2016 em 34,461 habitantes, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),[4] sendo então o vigésimo mais populoso do estado e o primeiro de sua microrregião. Eirunepé é também um centro sub-regional do Amazonas.[9]

Na vegetação do município predomina o bioma amazônico. Sua taxa de urbanização em 2010 era de 72,32%. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,563, considerado médio em relação ao estado.[6] Situada em uma área de Floresta Amazônica, não há, em Eirunepé, acesso a outras cidades por meio de rodovias, existindo, como meio ligação à capital ou a municípios vizinhos, apenas transportes fluvial e aéreo.

O povoamento da região de Eirunepé deu-se no início do século XIX, com a chegada de nordestinos.[10] O desenvolvimento do município ocorreu durante um grande período dado pelo Ciclo da Borracha, que envolvia tanto o Amazonas como o Acre.[11] Nesta época ocorreu ainda uma miscigenação da população, com traços do branco nordestino com índios Kulinaã, sendo que houve também influência de povos vindos de outras regiões do mundo, como turcos, portugueses, espanhóis e vários outros.[10]

Na área cultural, destaca-se principalmente pelo turismo, existindo diversos atrativos, como igrejas e praças, além de suas praias de água doce, ilhas, igarapés e lagos que formam a geografia municipal. Nota-se também a realização de eventos culturais e tradicionais, como a Festa do Açaí, o Festival Folclórico e a Festa de São Francisco de Assis, padroeiro municipal.

Etimologia 

O município surgiu com o nome de São Felipe do Rio Juruá, em 1894. A vila de São Felipe passou a denominar-se João Pessoa em consequência do Ato 317 de 5 de março de 1931, através de um pedido feito em 1930 pelo primeiro prefeito, capitão Moisés de Araújo Coriolando, após eleito. Em 31 de dezembro de 1943, através do Decreto-Lei Estadual 1.186, o município e o distrito-sede passaram a denominar-se Eirunepé. O nome “Eirunepé” vem da língua tupi, significando “caminho do mel preto”, através da junção de eíra (mel), un (preto, escuro) e (a)pé (caminho, estrada).[12]

História

Primórdios

Em meados do século XIX, vários migrantes nordestinos, sobretudo cearenses, rio-grandenses do norte e paraibanos, chegaram à região do rio Juruá e fixaram residência nos seringais, dando origem às primeiras vilas remotas existentes na região. Estes fugiam da seca na Região Nordeste brasileira, além de serem atraídos pela extração do látex, que movimentava a economia do Amazonas à época, o auge brasileiro.[10] Foi nesse contexto histórico que se iniciou o povoamento do município de Eirunepé e vizinhos.[10]

Homens nordestinos, trazidos por Felipe Manoel da Cunha, foram os primeiros habitantes da região após os nativos. Muitos tinham como destino trabalhar nos seringais do Sudoeste do Amazonas e no Acre. Estes casavam-se com mulheres indígenas da tribo Kulinaã, dando origem aos caboclos, – mestiços amazônidas.[10]Os vários casamentos realizados entre os nordestinos que chegavam, e as mulheres índias kulinaãs, dividia a opinião da tribo. Isso fez com que os índios que aceitassem o envolvimento destes com os ditos homens brancos fossem chamados de Kulinas, enquanto aqueles que não aceitavam foram denominados Kanamari.[10]

Casa de caboclo na beira do rio.

Extração de látex de uma seringueira.

Nas primeiras décadas do século XX, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), muitos povos de vários países fugindo da guerra procuravam outros lugares para reiniciar a vida. Ao chegarem ao Brasil, muitos eram atraídos pela borracha, principal riqueza da época, e procuravam o interior para se dedicarem ao cultivo agrícola e ao cultivo do látex.[13][14][15][16]

Com o declínio da borracha, muitas famílias buscaram trabalhos em grandes centros urbanos, principalmente Manaus, Belém, Porto Velho, Tefé, Tabatinga e Eirunepé.[10] Entretanto, muitos permaneceram nas regiões rurais e ribeirinhas vivendo da baixa valorização da borracha e da agricultura.[10] A população, fortemente miscigenada, com traços do branco nordestino com índios Kulinaã, teve também influência de povos vindos de outras regiões, como turcos, portugueses e outros.[10] A partir de então, registra-se uma cultura bastante diversificada, com hábitos e costumes próprios.[10]

A cidade de Eirunepé, outrora São Felipe do Juruá,[17] situa-se à margem esquerda do rio Juruá, próximo a foz do rio Tarauacá, este situado à margem oposta. O local em que foi erguida, era anteriormente a sede do grande seringal Eiru, de propriedade de Felipe Manoel da Cunha, rico seringalista do Rio Juruá. A sede de São Felipe desenvolveu-se consideravelmente na época em que o preço da borracha passou por uma grande valorização no mercado mundial.[10]

Ciclo da borracha[editar 

O ciclo da borracha constituiu uma parte importante da história econômica e social de Eirunepé, estando relacionado com a extração e comercialização da borracha.[10] Este ciclo teve o seu centro na região amazônica, proporcionando grande expansão da colonização, atraindo riqueza e causando transformações culturais e sociais, além de dar grande impulso às cidades de Manaus, Porto Velho e Belém, até hoje maiores centros e capitais de seus estados, Amazonas, Rondônia e Pará, respectivamente. No mesmo período foi criado o Território Federal do Acre, atual Estado do Acre, cuja área foi adquirida da Bolívia por meio de uma compra por 2 milhões de libras esterlinas em 1903. O ciclo da borracha viveu seu auge entre 1879 a 1912, tendo depois experimentado uma sobrevida entre 1942 e 1945 durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).[10]

Foi descoberto um grande potencial nas vilas sobre o Juruá, inclusive Eirunepé, daí como vários trabalhadores migravam para a região do Juruá foram formando vilas que se desmembraram de Eirunepé e viraram cidades como Envira e Ipixuna, que hoje são seus principais parceiros, já que a cidade chegou a ser um dos maiores municípios do mundo em extensão territorial com aproximadamente 215.000 quilômetros quadrados.

Formação administrativa

O seringal Eiru assumiu aspecto de povoado, através da forte influência do Ciclo da Borracha. Com o acontecimento, o proprietário interessou-se por transformá-la em vila, a fim de chamar autoridades para residir naquela região longínqua. Não tardou muito, Felipe Manuel da Cunha entrou em entendimento com o governo e conseguiu que fosse acrescentado no artigo nº 69, da Lei nº 33 de 4 de novembro de 1892, mais um município, que foi denominado de São Felipe do Rio Juruá. Esta lei, porém, não foi posta em execução.[18]

A Lei nº 76, de 8 de setembro de 1894, criou no Rio Juruá um município com respectivo Termo Judiciário anexo à Comarca de Tefé, com sede em São Felipe.[19] A Lei nº 114 de 17 de abril de 1895, transferiu a sede do município do lugar de São Felipe para Carauari.[19] Feita a revisão dos limites dos municípios do estado, pelo Decreto nº 122, de 7 de agosto de 1896, a sede do município de Carauari ficou incluída no território de Tefé, dando resultado ao Decreto nº 125, de 11 de agosto de 1896, transferindo a sede do município de Carauari novamente para o lugar de São Felipe. Automaticamente, o Dr. Jorge Augusto Studart, juiz de direito, julgou transferida a sede da Comarca e, se passando para a nova localidade, ali foi instalada a Comarca em 21 de setembro de 1896. Não existe nenhum ato criando a Comarca de São Felipe.[18] Na mesma data, o primeiro superintendente Capitão Tenente Tomás Medeiros Pontes instalou a vila, que até então não fora criada. Após a Revolução Nacional (1930), o Capitão Moisés de Araújo Coriolando foi nomeado prefeito. Este solicitou, logo em seguida, a mudança do nome da vila de São Felipe para João Pessoa,[19] através do Ato nº 317, de 5 de março de 1931.[18]

Pela Lei nº 14 de 6 de setembro de 1935, a vila foi elevada à categoria de Cidade, tendo sido instalada na gestão do prefeito João Pinto Conrado Gomes. Em 31 de dezembro de 1943, pelo Decreto-Lei Estadual nº 1.186, o município e o distrito sede passam a denominar-se Eirunepé.[17] Em 19 de dezembro de 1955, pela Lei Estadual n° 96, parte de seu território é desmembrado para constituir dois novos municípios, que atualmente são chamados de Envira e Ipixuna.[17][18]

História recente

O município cresceu gradativamente e tornou-se uns dos principais municípios do sudoeste do Amazonas, juntamente com Tabatinga e Fonte Boa. São os principais pólos dessa região. A atual população de Eirunepé, bem como da região do Juruá, é formada principalmente pelo elemento caboclo, mescla do indígena e dos nordestinos que vieram à região em grande número no início do século XX para a extração da borracha. Também é forte na região a presença de imigrantes. Mais recentemente, a região também tem recebido imigrantes peruanos, que têm intensivado e passado alguns de seus costumes. [20]

Geografia

A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, é de 15 831,571 km², sendo que 4,3172 km² constituem a zona urbana e os 15827,25 km² restantes constituem a zona rural.[5] Situa-se a 06º39′36” de latitude sul e 69º52′26” de longitude oeste e está a uma distância de 1 159,7 quilômetros a sudoeste da capital amazonense.[2] Seus municípios limítrofes são Itamarati e Envira ao leste; estado do Acre e Ipixuna ao sul; Benjamin Constant e Jutaí ao oeste.[23]

Ponte sobre o rio Tarauacá, que desagua em território eirunepeense.

O relevo da região de Eirunepé, assim como de grande parte do estado do Amazonas, é predominantemente plano com ocorrências de pequenas elevações, caracterizando-se como uma peneplanície.[24] A sede municipal está localizada em uma altitude de 124 metros, de acordo com a Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico do Amazonas (Seplan).[2]

O município pertence à Bacia do rio Amazonas, que é considerada como a maior bacia hidrográfica de todo o mundo, com 7 milhões de km², compreendendo terras de vários países da América do Sul (Peru, Colômbia, Equador, Venezuela, Guiana e Bolívia, além do Brasil).[24] Eirunepé é banhada pelo Rio Juruá, além de ser cortada pelo Rio Tarauacá, sendo que está situado dentro de seu território o local onde o segundo rio citado deságua na margem direita do primeiro.[25]

O município está localizado dentro da área da Floresta Amazônica. É a floresta equatorial que ocupa a maior extensão do território amazônico, sendo a maior floresta tropical do mundo.[26] O solo amazônico é bastante pobre, contendo apenas uma fina camada de nutrientes. A floresta de terra firme apresenta um solo extremamente pobre em nutrientes. Isto forçou uma adaptação das raízes das plantas que, através de uma associação simbiótica com alguns tipos de fungos, passaram a decompor rapidamente a matéria orgânica depositada no solo, a fim de absorver os nutrientes antes deles serem lixiviados. A floresta fluvial alagada também apresenta algumas adaptações às condições do ambiente, como raízes respiratórias, que possuem poros que permitem a absorção de oxigênio atmosférico.[26]

Cultura e sociedade

A cultura do município, assim como do Amazonas, foi largamente influenciada pelos povos nativos da região e pelos diversos grupos de imigrantes e migrantes que ali se estabeleceram, principalmente espanhóis.[79]Eirunepé tornou-se uma cidade com ampla miscigenação cultural e diversificadas culturas.[79] Os nordestinos que migraram para a Amazônia no fim do Século XIX e início do Século XX, atraídos pelo Ciclo da borracha, também contribuíram para a formação da cultura municipal.[80] Tudo isso gerou na localidade e no estado uma cultura mestiça e com grande contribuição e permanência da cultura indígena.[80]

Turismo e eventos

Dentre seu potencial se destacam o balneário do Aquariquaral, um dos cartões postais da cidade, e a Praça Paroquial de São Francisco de Assis, padroeiro de Eirunepé. Destacam-se as praias de água doce localizada às margens dos rios que banham o município, além das diversas ilhas, igarapés, lagos e paranás que formam a geografia municipal.[18]

Para estimular o desenvolvimento socioeconômico local, a prefeitura de Eirunepé, juntamente ou não com empresas locais, investe no segmento de festas e eventos.[18] Essas festas, muitas vezes atraem pessoas de outras cidades, exigindo uma melhor infraestrutura no município e estimulando a profissionalização do setor, o que é benéfico não só aos turistas, mas também a toda população da cidade. As atividades ocorrem durante o ano inteiro. Há: o Festival de Inverno, com shows de calouro, natação e canoagem, e o Novenário de São José, em março; a Festa do Açaí, em abril; o Arraial de Nossa Senhora de Fátima, em maio; o Festival Folclórico de Eirunepé, em junho; as comemorações do aniversário da emancipação política, em setembro; e a Festa de São Francisco de Assis, entre setembro e outubro. No cenário esportivo, destaca-se a Copa Intermunicipal de Seleções, realizada anualmente entro setembro e dezembro.[18]

Feriados

Em Eirunepé há dois feriados municipais e oito feriados nacionais, além dos pontos facultativos. Os feriados municipais são: o aniversário da emancipação da cidade, dia 8 de setembro; e o dia de São Francisco de Assis, padroeiro municipal, em 4 de outubro.[81]

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