‘Crise é um processo de ruptura cuja superação ajuda o fluxo da história’, afirmam filósofos

Diretores da Nova Acrópole Luzia Helena Echenique e Luis Carlos Marques Fonseca estiveram juntos em diálogo de encerramento da Semana da Filosofia

Ninguém está imune à crise porque ela é inerente ao movimento de mudança da vida e a vida é movimento. A pandemia de Covid-19 é um exemplo de crise cuja superação passa pela busca da unidade: seja em nível de pesquisa seja pela união de todos em torno do respeito aos protocolos que garantem a saúde pública.

“O valor da unidade em momentos de crise” foi o tema da palestra de encerramento da Semana da Filosofia, promovida pela Organização Internacional Nova Acrópole Brasil de 16 a 20 de novembro com transmissões gratuitas pelo YouTube. Ao todo, foram mais de 85 views ao longo da semana do evento. A última noite trouxe um diálogo entre os diretores da Nova Acrópole Brasil, Luzia Helena Echenique e Luis Carlos Marques Fonseca.

“A crise evidencia a necessidade de trabalhar um elemento de ruptura que precisa retornar à união e à harmonia. É assim com o nosso corpo: quando estamos doentes, o médico procura o elemento que precisa ser tratado para que haja retorno à harmonia”, afirmou Luís Carlos.

Não por acaso, o filósofo Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844-1900) costumava desejar aos amigos “todas as dificuldades do mundo”. “É por meio delas que plasmaremos bons homens”, completou o professor.

Já a professora Luzia Helena lembrou que toda mudança é um processo natural da vida rumo à evolução. “A palavra crise traz, em sua etimologia, o conceito de mudança, que é um processo natural da vida. Por falta de filosofia, não interpretamos isso como algo simples de ser absorvido. Albert Einsten afirmava que a crise permite que haja progressos para as pessoas e os países porque todos se unem para buscar soluções”.

Esse é um processo natural, segundo pontuou, uma vez que “todas as coisas têm um destino comum”. “Quando há uma verdadeira união, que é uma expressão da unidade, quando há busca de sabedoria, conhecimento, os seres humanos se juntam para evitar tragédias, para contornar e evitar as crises, que são naturais”, afirmou.

A professora lembrou ainda que, historicamente, vários filósofos, desde os pré-socráticos, transmitiram a ideia de que tudo está unido. “Todas as coisas, por múltiplas que sejam, caminham sempre juntas e estão regidas por uma mesma inteligência. Até mesmo os cientistas falam do universo como um grande tecido onde tudo está conectado e integrado”.

Coloque

Nessa lógica, as rupturas operam como elemento fundamental no processo de união entre as pessoas. “A adaptação a um novo ambiente que surgiu ou a necessidade de recriar aquele conjunto dentro de outras bases para atender uma necessidade maior. A Natureza tem o seu mecanismo: usa as crises para unir os seres humanos”, afirmou o professor Luis Carlos.

E complementou dizendo que um exemplo de síntese do que vem ser a unidade é a natureza. Por meio da imagem de uma floresta tem-se um símbolo de multiplicidade manifestada em diversas formas, mas que convivem harmonizadas, respeitando o fluxo da vida e, portanto, em conformidade com uma única lei, gerando unidade.

“Nós somos parte desse fluxo. As crises são apenas parte desse momento. Se somos agentes conscientes desse tempo-espaço, estamos escrevendo a história. Nós queremos ajudar o fluxo da história, superando e crescendo em bondade, unidade e amor”, afirmou o professor da Nova Acrópole.

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