Master pagou R$ 5 milhões a escritório de Lewandowski já como ministro

Acordo entre Banco Master e banca da família do ex-ministro do STF seguiu em vigor por 21 meses depois da posse no governo Lula; senador Jaques Wagner confirmou indicação
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Foto:Lula Marques/ Agência Brasil

Um contrato de consultoria jurídica firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia ligado ao ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski permaneceu ativo por quase dois anos após ele assumir o comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Os pagamentos mensais, de R$ 250 mil, totalizaram cerca de R$ 6,5 milhões brutos, sendo aproximadamente R$ 5,25 milhões após a posse no governo federal.

O acordo foi celebrado em 28 de agosto de 2023 e seguiu vigente até setembro de 2025. Lewandowski tomou posse no Ministério da Justiça em janeiro de 2024, durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, permanecendo, portanto, por 21 meses no cargo enquanto o contrato com o banco continuava em execução.

Segundo apuração, a contratação do ex-ministro pelo Banco Master ocorreu após indicação do líder do governo no Senado, Jaques Wagner, que confirmou ter sugerido o nome de Lewandowski à instituição financeira. Wagner também foi citado como responsável por indicar o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, hipótese que ele nega.

Ao assumir o ministério, Lewandowski deixou formalmente o escritório de advocacia, em janeiro de 2024, e suspendeu seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil. O escritório de advocacia  passou a ser comandado por seus filhos, Enrique de Abreu Lewandowski e Yara de Abreu Lewandowski, que permaneceram como sócios. Com a saída do ex-ministro, o escritório passou a ser representado junto ao banco por Enrique Lewandowski.

O objeto do contrato previa a prestação de “consultoria jurídica e institucional de caráter estratégico”, incluindo a participação em reuniões do comitê estratégico do Banco Master. No entanto, de acordo com informações apuradas, Lewandowski participou diretamente de apenas duas reuniões durante todo o período contratual. Ainda segundo a apuração, não houve entregas consideradas relevantes por parte do escritório após a ida do ex-ministro para o governo, apesar da continuidade dos pagamentos.

Em nota, a assessoria de Lewandowski afirmou que ele se desligou integralmente da advocacia ao aceitar o convite para integrar o ministério. “Após deixar o STF, em abril de 2023, retornou à advocacia e prestou consultoria jurídica ao Banco Master. Ao assumir o Ministério da Justiça, retirou-se do escritório e deixou de atuar em todos os casos”, informou.

O senador Jaques Wagner declarou que foi apenas consultado sobre a indicação de um jurista experiente, negando qualquer irregularidade. Já a defesa do controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, sustentou que as contratações ocorreram dentro de critérios técnicos e profissionais.

A revelação do contrato ocorre em meio ao aumento das críticas públicas do presidente Lula ao Banco Master e a seu controlador. Em discurso recente, o presidente acusou o grupo financeiro de envolvimento em um prejuízo bilionário ao sistema bancário e adotou tom duro contra quem defende Vorcaro, apesar da relação histórica de proximidade do banco com figuras ligadas ao Partido dos Trabalhadores.

Lewandowski, que mantém trajetória próxima ao PT, foi indicado por Lula ao STF em 2006 e deixou a Corte em 2023, ao atingir a idade limite para aposentadoria.

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