Pesquisadores identificam impactos das mudanças climáticas na biodiversidade da Amazônia e região Andina

Pesquisa publicada na revista Nature Ecology and Evolution mostra que florestas tropicais da Amazônia e região Andino-Amazônica estão perdendo espécies em áreas mais quentes e secas, enquanto outras registram ganhos pontuais.
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Foto - Juliana Schietti (Ufam/Inpa) e Acervo Peld Florestas Amazônicas (Inpa)

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) participa de um amplo estudo internacional que aponta como as mudanças climáticas globais estão transformando a diversidade de espécies arbóreas nas florestas tropicais da Amazônia e da região Andino-Amazônica.

Publicada na revista científica Nature Ecology and Evolution, a pesquisa analisou dados de 406 parcelas permanentes de monitoramento distribuídas em dez países sul-americanos, acompanhadas ao longo de quatro décadas o maior levantamento do tipo já realizado na região.

A pesquisadora Belen Fadrique, da Universidade de Liverpool, primeira autora do estudo, explica que os cientistas utilizaram registros de centenas de botânicos e ecólogos para identificar como as florestas vêm reagindo às mudanças ambientais.

“As plantas podem se deslocar para áreas com condições mais favoráveis, se aclimatar ou, caso nenhuma dessas estratégias funcione, entram em declínio, aumentando o risco de extinção”, afirma Fadrique.

A floresta muda, mas de forma desigual

O levantamento mostra que, embora a riqueza total de espécies tenha se mantido relativamente estável em nível continental, há fortes diferenças regionais.

Em partes dos Andes Centrais, do Escudo das Guianas e da Amazônia Centro-Oriental, houve perda de até 3,3% das espécies registradas. Já em áreas dos Andes Setentrionais e da Amazônia Ocidental, a diversidade aumentou em até 1,95%.

Segundo os cientistas, as áreas mais quentes, secas e sazonais foram as que mais perderam espécies. Já as florestas mais intactas e dinâmicas, com ecossistemas mais equilibrados, apresentaram ganhos de biodiversidade.

Refúgios climáticos e desafios para a conservação

O estudo destaca que os Andes Setentrionais funcionam como refúgios climáticos, regiões que ainda mantêm condições adequadas para espécies ameaçadas pelo calor crescente em outras partes da Amazônia.

Para a pesquisadora do Inpa, Flávia Costa, coautora do artigo, os resultados reforçam a importância de estratégias de conservação diferenciadas.

“Os impactos das mudanças climáticas sobre a diversidade de árvores não são homogêneos. Isso reforça a necessidade de monitoramento contínuo e ações específicas para cada região”, diz Costa.

Colaboração científica sem fronteiras

A pesquisa envolveu mais de 160 cientistas de 20 países, com o apoio de grandes redes de monitoramento florestal como RAINFOR, Red de Bosques Andinos, Projeto Madidi e PPBio.

Além de Flávia Costa, também assinam o trabalho os pesquisadores do Inpa Carolina Castilho, Juliana Schietti, José Luis Camargo e Philip Fearnside.

O artigo completo, intitulado “Tree Diversity is Changing Across Tropical Andean and Amazonian Forests in Response to Global Change”, está disponível na revista Nature Ecology and Evolution.
Acesse o estudo aqui

Com informações da Assessoria de Comunicação – ASCOM- Inpa e autores do estudo.

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