A versão oficial do governo sobre a megaoperação que deixou 121 mortos nos complexos do Alemão e da Penha sofreu um duro revés. Em depoimento ao Ministério Público, o comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope), tenente-coronel Marcelo Corbage, afirmou que a ação foi, na verdade, uma emboscada armada pelo Comando Vermelho (CV).
Segundo Corbage, imagens aéreas analisadas pelo Bope indicam que traficantes fortemente armados se organizaram de forma estratégica e se posicionaram na mata da Serra da Misericórdia conhecida como Vacaria antes da chegada da polícia. Os criminosos usavam camuflagem e tática militar, numa movimentação típica de tropas preparadas para confronto direto.
“O objetivo era claro: preparar uma armadilha”, relatou o oficial. As estruturas encontradas no local, semelhantes a bunkers, reforçam a tese de que os traficantes estavam prontos para o embate, desmontando a justificativa apresentada pelo governo no dia da ação a de que o chamado “Muro do Bope” fora instalado para conter fugas.
O relato foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e revela que a operação mudou de rumo bruscamente quando policiais civis que participavam da ofensiva foram atingidos por disparos inesperados. “Ali, a missão deixou de ser cumprimento de mandados e virou uma corrida por sobrevivência”, disse o comandante.
Ainda segundo Corbage, o comportamento dos criminosos foi inédito: resistiram, não recuaram e sustentaram o fogo por horas, o que foge ao padrão de confrontos anteriores com o Bope. “A agressividade deles quebrou todos os paradigmas. Foi uma estratégia de guerra que jamais tínhamos enfrentado”, pontuou.
O depoimento joga luz sobre um dos episódios mais letais da segurança pública no país e expõe contradições entre a versão institucional e o que foi vivenciado no terreno pelos agentes envolvidos.






































































