A equoterapia oferecida pelo 1º Regimento de Policiamento Montado (RPMon) – Batalhão Coronel Bentes, mais conhecido como Cavalaria da Polícia Militar do Estado do Amazonas, localizado no bairro Dom Pedro, zona centro-oeste de Manaus, tem proporcionado a melhoria na qualidade de vida de diversas pessoas com deficiência, sendo um deles Luiz Felipe, de 24 anos, que nasceu com autismo e que até dois anos de idade não pronunciava uma palavra.

A família, principalmente a sua mãe, Marlize Pereira, de 52 anos, procurou todas as técnicas para fazer com que o filho tivesse uma vida normal e poder socializar com os outros. Em 2010, ela inscreveu o filho na equoterapia, técnica usada com o uso do cavalo, onde tem a finalidade terapêutica da equitação para regenerar a saúde.

“O Luiz Felipe chegou aqui em 2010, em um estado bem crítico. Ele não tinha muita sustentação no pescoço, mas, com seis meses de prática, ele começou a segurar o pescoço, ajeitou a postura. Antes, ele não tinha muita concentração, estava todo debilitado. Ele chegou aqui no zero e foi evoluindo gradativamente. Foi muito bom esse tratamento para ele, porque ele se adaptou muito bem. Ele faz a pré-esportiva, a terceira fase da equoterapia, e já domina o cavalo sozinho”, diz, orgulhosa, a mãe.

Marcha – O cavalo é utilizado nesta terapia porque a sua marcha é muito semelhante à marcha humana, transmitindo estímulos ao praticante quando montado semelhante aos que receberia quando estivesse andando. Luiz Felipe esteve na manhã desta sexta-feira (13/04) na Cavalaria da Polícia Militar do Estado do Amazonas para mais uma aula. “Eu melhorei a minha postura. Os cavalos me ajudam, faço igual a eles, eu faço o galope junto com eles”, relatou Luiz Felipe, que pratica há oito anos a técnica.

Retorno satisfatório – Para a tenente Daiane Veras, subchefe do Núcleo de Equoterapia da Cavalaria da Polícia Militar do Estado do Amazonas, essa técnica vem trazendo retorno muito satisfatório da evolução do quadro dos praticantes. “Temos visto uma evolução muito grande na autoestima, no tônus muscular, daquela criança que não conseguem firma o tronco. Com o acompanhamento de profissionais qualificados, eles melhoraram. Todos os profissionais que trabalham aqui são aptos para tratar desses pacientes”.

O 1º sargento FM Melo, que atua como professor de equoterapia, explica que os praticantes chegam ao Batalhão Coronel Bentes sem sequer conseguir andar. Com paciência e prática, eles evoluem e a relação deles com os animais ajuda tanto o praticante quanto os animais. “Eles criam uma relação de afetividade com os animais e vice-versa. Esse tratamento é benéfico para as duas partes. Existe uma relação de equilíbrio entre eles. Com o passar do tempo eles vão criando uma harmonia com o praticante”.

Benefícios – A equoterapia é um método terapêutico e educacional que o utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar nas áreas de Saúde, Educação e Equitação, buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com necessidades especiais. As patologias mais atendidas são: Paralisia Cerebral, Autismo, Hiperatividade, Deficiência Auditiva, Síndromes de Down, de Asperg, West e outras.

A Cavalaria da PM- AM, no núcleo de Equoterapia, atualmente atende 44 praticantes, entre crianças, jovens e adultos. O atendimento é realizado nesta unidade policial militar uma vez por semana com duração de 30 minutos. O Núcleo de Equoterapia, hoje em dia, tem uma lista de espera de aproximadamente 390 pessoas para o ingresso no programa social da Polícia Militar do Estado do Amazonas.

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