Arranjo produtivo aumenta em 45% a produção de peixe em Presidente Figueiredo

O projeto do Governo do Amazonas que pretende criar uma nova matriz econômica sustentável para o Estado e que tem na piscicultura um de seus carros-chefe vem ganhando corpo em Presidente Figueiredo, município a 107 quilômetros de Manaus. Uma parceria entre o Governo do Estado e a Prefeitura do município está impulsionando a produção de tambaqui, matrinxã e pirapitinga, principalmente no entorno da hidrelétrica de Balbina, onde aproximadamente 250 produtores familiares já introduziram a atividade em suas propriedades.

pescado

FOTO ROBERTO CARLOS

O resultado é um incremento de aproximadamente 45% na produção, saindo de 250 toneladas, em 2014, para 450 toneladas ano passado. O projeto Arranjo Produtivo da Piscicultura Local é coordenado pela Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror) e a Prefeitura de Presidente Figueiredo, com apoio do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Amazonas (Idam), da Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (ADS) e da Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam). A contrapartida do Governo do Estado é em torno de 70% do recurso e a Prefeitura entra com 30%.

 O arranjo governamental garante a implantação de tanques escavados nas propriedades, assistência técnica e a doação de alevinos (filhotes), sem ônus para o produtor, além do financiamento para a compra de insumos e de ração. A comercialização sem a presença do atravessador é outra garantia, o que torna o produto mais rentável.

A Meta é beneficiar 600 famílias com média de área alagada de 0,5 hectare em cada propriedade, o que significam dois viveiros de 2.500 m². Segundo a Sepror, desde que o projeto iniciou, em 2014, já foram implantados 100 hectares de área alagada.

 Crescimento – De acordo com o secretário de Pesca da Sepror, Geraldo Bernardino, o projeto já faz com que Presidente Figueiredo seja o município que mais cresce na produção de peixe na região do entorno de Manaus que tem em Rio Preto da Eva o maior produtor, ao lado de Manacapuru, Itacoatiara e Iranduba.

  “Temos um projeto estratégico para Presidente Figueiredo, onde já existe todo um arranjo produtivo desde a produção de alevinos, às pequenas fábricas de ração e o crédito. Nesse contexto, a estação de piscicultura de Balbina surge como a principal indutora, garantindo, além dos alevinos toda a parte de capacitação, inclusive para os produtores, como também a pesquisa”, observa Geraldo Bernardino.

 Somente na estrada conhecida como ramal da Morena, às margens do lago de Balbina, mais de 60 propriedades introduziram a piscicultura em suas atividades produtivas. O incentivo do Estado começa a criar na região uma cadeia produtiva incluindo até pequenas fábricas de ração. A produção por despesca em cada propriedade chega a 2 toneladas, vendidas nas feiras ou diretamente para a Prefeitura de Presidente Figueiredo.

“O objetivo principal do Programa é inserir na agricultura familiar mais uma fonte de proteína de qualidade, proporcionando segurança alimentar e melhoria de renda com a venda do excedente da produção”, observa o secretário Estadual de Produção Rural, Sidney Leite.

 Em abril deste ano, a Prefeitura de Presidente Figueiredo adquiriu com os produtores 35 toneladas de pescado que foram distribuídos para a população na Semana Santa.

 Manuel Gomes da Silva, 54, conta que a piscicultura tem sido rentável, ao ponto de estar se tornando a principal atividade da propriedade que antes se baseava na produção de frango caipira. “É mais rentável e dá menos trabalho”, conta ele, que este ano vendeu a produção da sua primeira despesca para a Prefeitura, em torno de 1,5 tonelada.

Estação de Balbina é centro de reprodução

Considerada o coração do projeto do Governo do Estado, que pretende fazer da piscicultura e de outras atividades econômicas uma nova Zona Franca no Estado, a Estação de Piscicultura de Balbina já é considerada uma das maiores produtoras de alevinos do Brasil. De lá saem alevinos e pós-larva para todo o Estado. A unidade também é um importante centro de tecnologia, treinamento e pesquisa em reprodução de peixe.

 Na estação são os feitos todos os procedimentos para a reprodução de peixe em cativeiro. Nas incubadoras, uma espécie de berçário de alevinos, os ovos são fecundados para virarem larvas e pós-larvas, até transformarem-se nos filhotes  e serem transferidos para tanques onde atingirão o tamanho necessário a serem entregues aos  produtores.

  O que não vai para o produtor é destinados ao processo de reprodução artificial induzido por hormônios, uma vez que nos tanques escavados não é possível o processo de reprodução natural. Isso porque os peixes adultos não conseguem completar o ciclo natural que acontece no período da desova.

 A Estação também é dotada de laboratórios de pesquisa usadas para a análise de certificação – todo lote que sai da estação passa pelo processo de certificação para garantir a qualidade do alevino. As estatísticas internas comprovam alto grau de produtividade com perda de apenas 5% dos alevinos, ou seja, 95% conseguem atingir o ponto de comercialização.

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