Foto: Robervaldo Rocha- Dircom/CMM

As cenas de vandalismo e o caos no sistema de transporte coletivo que deixou trabalhadores e pais de família sem ônibus no 7º dia de greve foi alvo de críticas dos vereadores nesta segunda-feira (4), na Câmara Municipal de Manaus (CMM) e ressuscitou a proposta de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o sistema de transporte coletivo municipal.

Vereadores de oposição e da base do Governo Municipal repudiaram o movimento pelos lamentáveis episódios de violência registrados, especialmente na zona Leste de Manaus, com ônibus depredados e a população refém da falta de transporte público para se deslocar ao trabalho e sair de casa para seus compromissos diários.

Para o líder do Governo Municipal, vereador Joelson Silva (PSDB), o direito de uma categoria não pode se sobrepor, prevalecer sobre o direito de toda uma população. “É importante que possamos observar que a intransigência não leva a lugar nenhum. Hoje vemos, com todo respeito à categoria dos rodoviários, e os empresários, que poderiam contribuir para fazer a sua parte e evitar que os pais de família não fossem prejudicados”, disse.

O vereador assegurou que a greve é um direito, mas que todos os parâmetros foram quebrados. “O que vemos é a prática da desordem. Não podemos aceitar uma situação dessas”, completou Joelson Silva, que viu na Justiça do Trabalho o interesse em resolver a questão, chegar a um consenso e convergir. “O que não pode é o usuário pagar R$ 3,80 e ser deixado na metade do caminho”, assegurou.

Joelson Silva, que também é presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR), disse existe uma lei da bilhetagem, proposta em 2006, que pode sofrer alteração e ser modificada a partir de discussão na Comissão de Transporte e na CCJR, trazendo para a Prefeitura a capacidade de gerir o transporte público. “Não podemos aceitar é a desordem, o caos”, reafirmou.

O vereador Professor Frasuá (PV) assegurou que a cidade estava um verdadeiro caos no transporte público e não é de hoje. “A população convive com redução de frota, tendo que entrar em ônibus como lata de sardinha, velhos”. Por outro lado, o vereador vê intransigência da parte dos rodoviários ao verificar que na ata de reunião de negociação entre trabalhadores e sindicato das empresas apenas duas propostas não foram acordadas e já judicializadas. Fransuá assegurou ainda ser a favor da CPI do transporte coletivo, não para investigar o dissídio, mas a bilhetagem do transporte. “É hora de dar uma resposta efetiva para a situação caótica na qual vivemos”, assegurou.

A vereadora Joana D’arc Protetora dos Animais (PR), também favorável à CPI do transporte público, argumentou que se essa proposta tivesse sido aprovada no ano passado, o sistema não estava essa bagunça que está hoje.

Cláudio Proença (PR) considerou a violência desencadeada com o movimento um episódio triste e lamentável. O vereador sugeriu ao prefeito a decretação de Estado de Calamidade Pública e a intervenção no sistema. “Temos mais de três mil motoristas desempregados e muitos pais de família sendo forçados a trabalhar. A maioria queria estar dentro do sistema porque precisam do salário para viver de forma digna”, assegurou.

Manifestando sua posição contrária à CPI, Proença afirmou que a Casa tem uma Comissão de Transporte atuante. “O prefeito (Arthur Neto) se conscientizou que tem que trazer o sistema de bilhetagem para a Prefeitura através da Ageman (Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados do Município de Manaus)”, argumentou.

Marcelo Serafim (PSB) afirmou que a Prefeitura de Manaus precisa tomar voz de comando do transporte público da cidade. “O pior sistema não é o que tem ônibus velho, é o sistema que não existe”, disse ele, sugerindo que está na hora de se pensar em um sistema de ônibus alternativo para a cidade. O vereador disse que assina a CPI, mas que investigue tanto os empresários quanto o sindicato dos trabalhadores rodoviários, que deixaram Manaus a ver navios.

Situação caótica

Para o presidente da Comissão de Transporte, Mobilidade Urbana e Acessibilidade, Rosivaldo Cordovil (PODE) a situação chegou a um momento caótico e difícil. “A Prefeitura sentou à Mesa para tentar estancar o problema, conversando com ambas as partes e após a conversa não se chegou a uma solução do problema e levou ao Ministério Público do Trabalho, aonde se chegou a um acordo, não cumprido por parte dos rodoviários. A cidade de Manaus e mais de 600 mil usuários não podem ser penalizados, os trabalhadores do sistema teriam que estar nas ruas, levando os trabalhadores. As escolas estão sem merendeiras. Se contabilizar, os prejuízos são incalculáveis”, afirmou.

Sassá da Construção Civil (PT) assegurou que está com pedido de CPI para investigar o Sinetram (Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Amazonas). Na opinião dele, a culpa não é apenas dos trabalhadores rodoviários. “Porque não pagaram os 3,5% acordado? O prefeito sentou, negociou, fez acordo, mas os empresários não cumpriram”, destacou o vereador.

Os vereadores Mauro Teixeira (PODE), Raulzinho (DEM), Elias Emanuel (PSDB) e Felipe Souza (PHS) também se pronunciaram. Felipe Souza, inclusive, destacou que o prefeito age corretamente quando diz que nos próximos dias vai encaminhar um projeto para a Câmara para que assuma o controle da bilhetagem por meio da Ageman.

Falaram a respeito do assunto ainda os vereadores João Luiz (PRB), Missionário André (PTC), Professor Samuel (PHS), Coronel Gilvandro Mota (PTC), Fred Mota (PR), Dr. Daniel Vasconcelos (PMN), além de Plínio Valério (PSDB), Marcel Alexandre (PHS) e Jaildo dos Rodoviarios (PCdoB).

Jaildo dos Rodoviários rebateu as críticas desferidas contra o movimento, especialmente aos trabalhadores. “Tenho visto muita injustiça, inclusive da mídia em massacrar o trabalhador e o sindicato dos trabalhadores. Assinei a CPI a ser apresentada pelo vereador Chico Preto (PMN) para investigar quem está falando a verdade”, disse.

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