O presidente Jair Bolsonaro se encontrará com seu colega norte-americano, Donald Trump, durante a segunda quinzena de março na Casa Branca, informou o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, em visita a Washington nesta semana. O objetivo do encontro será abordar questões econômicas, assuntos relacionados com segurança, treinamento militar e diplomacia na América Latina. Araújo anunciou a reunião depois de um encontro com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, e na quinta-feira esclareceu que ainda não está definida a data exata e se será uma visita de Estado – como a do presidente francês Emmanuel Macron – ou tradicional .

Desde que Bolsonaro venceu as eleições presidenciais, em novembro, trabalhou para concretizar sua intenção de se aproximar dos EUA. Os gestos chegam depois de décadas de uma relação distante entre as duas principais potências da América. Um dos mais claros acenos foi a escolha do diplomata Araújo, que ganhou popularidade em 2017, quando publicou um texto intitulado Trump e o Ocidente, no qual definiu o inquilino da Casa Branca como o representante da “recuperação do passado simbólico, da história e da cultura das nações ocidentais”.

Por isso não foi surpresa que ele tenha se juntado à campanha de Bolsonaro, que foi apelidado no exterior de “Trump tropical”. O que chamou mais a atenção foi sua nomeação como ministro das Relações Exteriores: um trumpista antiglobalização e inimigo declarado do multilateralismo.

Nos primeiros dias de janeiro, os Estados Unidos corresponderam aos interesses do Brasil. O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, visitou Bolsonaro em Brasília, onde um dos principais assuntos foi definir uma estratégia sobre como colaborar para “restaurar a governança democrática e os direitos humanos” dos cidadãos da Venezuela, Cuba e Nicarágua. Na quarta-feira, 23 de janeiro, Juan Guaidó, opositor de Nicolás Maduro e presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, autoproclamou-se presidente interino invocando o artigo 233 da Constituição. Os Estados Unidos foram os primeiros a apoiá-lo. O Brasil fez o mesmo minutos depois.

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