Fotos: José Nildo/Semsa

A Prefeitura de Manaus está aguardando a confirmação da causa da morte de duas crianças na capital – a principal suspeita é que tenha sido sarampo. Uma vítima, um menino de sete meses, apresentou os sintomas da doença, como febre, exantema, tosse e coriza. A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) aguarda o resultado do exame de sorologia.

No segundo caso, de uma menina de nove meses, não foi feita a coleta de material para sorologia. Técnicos do Distrito Oeste de Saúde (Disa Oeste), área de residência da família, estão fazendo buscas para identificar se a criança havia apresentado os sintomas da doença antes de falecer.

As duas crianças não tinham sido vacinadas contra o sarampo e residiam em áreas onde há elevados índices de casos suspeitos – a menina na zona Oeste e o menino na área limite entre as zonas Norte e Leste.

Ao tomar conhecimento dos dois óbitos, o prefeito Arthur Virgílio Neto ressaltou que novas medidas serão tomadas para intensificação da vacinação na cidade. “Estamos discutindo com técnicos, com todos nossos profissionais envolvidos no combate a esta terrível doença estratégias para reforçarmos ainda mais a imunização. Já estamos nas ruas levando vacinas para escolas, casas localizadas em áreas de maior incidência. E outras providências serão tomadas nos próximos dias. Precisamos extinguir essa doença”, destacou Arthur.

As ações da Prefeitura para conter a entrada do sarampo em Manaus tiveram início logo que surgiram os primeiros registros, ainda na Venezuela, em fevereiro deste ano. As equipes da Semsa montaram barreiras epidemiológicas e fizeram “varreduras” nas áreas consideradas de maior risco, mais especificamente a zona Norte. Quando começaram as notificações de casos suspeitos, seguindo orientação do prefeito Arthur Neto, a secretaria de Saúde organizou uma campanha municipal de imunização contra o sarampo, chegando mesmo a antecipar para seis meses o início da faixa etária alvo da vacina.

Em todos os Distritos de Saúde, as atividades extramuros se tornaram rotina, com as equipes fazendo busca ativa em creches e escolas. Nesta sexta-feira 29/6, nove equipes do Distrito de Saúde Sul (Disa Sul) iniciaram uma “varredura” no bairro Petrópolis, que concentra o maior índice de casos confirmados (44) e suspeitos (320) naquela área, para buscar pessoas que ainda não tenham sido vacinadas. A ação deve durar 15 dias. A previsão é visitar mais de 1,3 mil imóveis para avaliar a situação vacinal e fazer a atualização, caso necessário.

“Estamos reforçando ainda mais as ações para conter o avanço da doença em nossa cidade. É possível evitar o sarampo, basta que a população tome a vacina. Não podemos aceitar que nossas crianças morram por falta de imunização. Faço um apelo aos pais e aos responsáveis que permitam a vacinação de seus filhos. É gratuito e está à disposição nas unidades de saúde”, ressaltou o secretário municipal de Saúde, Marcelo Magaldi.

Boletim

O Informe Epidemiógico divulgado na última terça-feira, 26, pela Sala de Situação de Vigilância em Saúde da Semsa aponta 265 casos confirmados, 113 descartados e 1346 em investigação, aguardando resultado laboratorial. As zonas Norte e Leste concentram a maior incidência de notificações. Desde que foi iniciada a campanha, que tinha como meta vacinar 191.585 pessoas da faixa etária prioritária (seis meses a 49 anos), foram aplicadas 157.953 doses, o equivalente a 82,45% da meta.

Sobre o sarampo

O sarampo é uma doença infecciosa causada por vírus. Geralmente, atinge bebês e crianças de até 5 anos que não tomaram a vacina. Também pode aparecer em adultos, e se não for tratada pode acarretar outras complicações como pneumonia, conjuntivite, cegueira, convulsões, diarreia, infecções no ouvido e respiratórias, encefalia e lesão cerebral. No pior dos casos, ele pode levar o paciente à morte.

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