FOTOS: DIVULGAÇÃO/FAPEAM

Espécie conhecida, popularmente, como Lagarto-da-mata ou Calango tem em média 48,4% de risco de extinção local até 2050. Para 2070 o número sobe para 72,8%

Estudo científico analisou os impactos que as mudanças climáticas podem causar na biodiversidade da região e utilizou como modelo a espécie típica de lagarto amazônico conhecido, popularmente, como Lagarto-da-mata ou Calango (Kentropyx calcarata). Durante a pesquisa foram estudadas populações desta espécie na Amazônia e na transição da Amazônia com o Cerrado.

O trabalho foi realizado pelo pesquisador Emerson Pontes, durante o curso de mestrado em Ecologia, no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). A pesquisa contou a orientação da doutora Fernanda Werneck e coorientação do doutor William Magnusson, em parceria com pesquisadores brasileiros e estrangeiros.

Segundo Pontes, com o aumento da temperatura, redução das chuvas e cobertura florestal na Amazônia-Cerrado, a espécie K. calcarata tem em média 48.4% de risco de extinção local, até 2050. Para 2070, o risco de extinção é ainda mais alarmante, o número sobe para 72,8%.

“Esta espécie de lagarto, assim como tantas outras, precisa da floresta em pé. Com as mudanças climáticas e o aumento das taxas de desmatamento alarmantes que seguem na Amazônia, estes riscos de extinção estimados podem, infelizmente, se tornarem em extinções reais”, contou.

O estudo iniciou em 2014 e para chegar neste resultado, o pesquisador disse que foram realizadas expedições de coleta para as florestas fechadas e úmidas nos estados do Amazonas, Pará e Amapá (Amazônia) e para as florestas abertas, mais quentes e secas no estado do Tocantins na transição Amazônia-Cerrado.

Pontes disse que em cada localidade amostral foram registradas as temperaturas ambientais e realizados experimentos fisiológicos de laboratório com os lagartos para estimar quanto os indivíduos da espécie toleravam de calor e frio, quanto corriam em diferentes temperaturas corporais e também qual era a temperatura preferida individual para o funcionamento do corpo do animal.

“Para estudar a vulnerabilidade da espécie, estimamos quanto o ambiente estará adequado no futuro para que a espécie esteja presente. Para isso, calculamos os riscos de extinção locais de K. calcarata, juntando dados da distribuição atual da espécie aos dados térmicos da fisiologia e dos ambientes, além de estimativas de pluviosidade, temperatura e cobertura florestal para o futuro. Foi dessa forma que buscamos estimar as respostas populacionais da espécie em cenários climáticos futuros”, explicou.

O pesquisador disse que em alguns lugares a espécie de lagarto poderá sofrer redução populacional ou deixar de existir, enquanto em outros, ela ainda poderá persistir, mas tudo depende principalmente da manutenção do seu hábitat: as florestas.

O pesquisador ressaltou que perder uma espécie significa empobrecer a biodiversidade, além de comprometer em algum nível o funcionamento das florestas e de seus ecossistemas, o que pode significar também prejuízos à vida de outros seres vivos, o que inclui os seres humanos.

Conforme Pontes, algumas das perguntas e hipóteses levantadas pelo seu trabalho e colaboradores estão sendo investigada pelo grupo de pesquisa da Dra. Fernanda Werneck no Inpa. Os estudos e projetos adicionais integram abordagens ecológicas e genéticas para inferir a história populacional, prever riscos de extinção local e potenciais respostas adaptativas para diversos lagartos sob cenários de mudanças climáticas futuras em paisagens de vegetação florestal e aberta amazônicas e no ecotóno Amazônia-Cerrado.

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