Na quinta-feira (8/2) um grupo de alunos do curso de Ciências Sociais da UFRN entrou  com uma representação no departamento que gere a graduação, solicitando que a Universidade apure o que aconteceu na aula de Introdução à Sociologia na última terça-feira (6).

O fato ocorreu na aula do professor Alípio de Sousa Filho que proibiu uma aluna de assistir à sua aula acompanhada da filha, uma menina de cinco anos.

“Me senti muito mal. Minha filha perguntou se não podia mais assistir às minhas aulas. Se era por causa dela. É uma grande humilhação. A única família dela sou eu. Ela só tem a mim. Foi terrível”, relatou a aluna Waleska Maria Lopes.

A representação está assinada pelo Coletivo Acadêmico de Ciências Sociais, que já foi  encaminhada  à secretaria do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) e seguindo o trâmite, o documento será enviado à reitoria.

“Lá a reitora vai apreciar se irá, ou não criar uma comissão de sindicância para apurar os fatos”, explica o chefe de departamento do curso, professor César Sanson.

Waleska afirmou que o professor Alípio Filho disse que ela não poderia assistir às suas aulas com a criança e pediu que ela se retirasse da sala.

Alípio Filho diz que não expulsou a aluna da aula. no entanto ele admite que proibiu a estudante de voltar novamente a uma aula acompanhada da filha.

Professor Alípio de Sousa Filho disse que criança atrapalhava a aula (Foto: Reprodução/Inter TV Cabugi)

“Uma criança de cinco anos, todo mundo sabe, é uma criança que fica inquieta. E a aluna tem que se ocupar com a filha. Se ocupa, porque fica vendo a criança levantar, a criança sentar. E, portanto, a criança fica chamando a atenção da aluna, o que faz com que ela não esteja atenta à aula. Além disso, chama a atenção dos demais alunos”, argumentou o professor.


A matéria veiculada pelo G1, relata que após a saída de Waleska da sala, o professor Alípio Filho continuou falando com os alunos sobre o ocorrido, os estudantes gravaram o áudio que vazou em Redes Sociais veja:

Áudio vazou

Além de abordar as questões mencionadas por ele na entrevista, referentes aos custos e o respeito à Universidade, o docente também direcionou seu discurso para Waleska. “Ela encontre uma rede de solidariedade para cuidar da criança. Não consegue essa rede de solidariedade? Repense sua vida. Não tem que estar fazendo Ciências Sociais, não tem que estar estudando na universidade. Você só faz isso se tiver condições. Agora não vai impôr à instituição coisas que não são assimiladas pela instituição (…) ‘ah, eu sou pobre, não tenho’. Problema seu, a universidade não tem problema com isso, se vire”, disse.

O professor diz que há grupos de alunos que não respeitam as normas da UFRN e querem impôr suas vontades em detrimento do que determina a Universidade dentro dos limites do campus.

“Esse áudio é maravilhoso, eu agradeço a eles por estar divulgando. Porque é o áudio no qual eu mostro as razões da defesa da universidade pública no Brasil. Dizendo que a universidade é cara, nossos salários são caros, numa sociedade de baixos salários, e que por tão cara que é a universidade pública, ela deve ser zelada e respeitada em sua autoridade moral, o que certos alunos não sabem reconhecer. Eu agradeço, e pode colocar na sua matéria, que o professor agradece a divulgação do áudio”, disse Alípio Filho ao G1.

Questionado pela reportagem se tinha conhecimento que a estudante é natural do Rio de Janeiro e não tem familiares próximos no Rio Grande do Norte, o professor afirmou não saber do fato, porém disse que essa informação não interfere em sua análise da situação.

“Não tenho essa informação, mas essa informação não interfere na análise do problema, porque, veja bem, a sociedade tem diversos dramas e problemas. Mas a universidade não pode ser o lugar da resolução de todos esses problemas. A universidade já faz um esforço tremendo de oferecer programas, de oferecer alternativas de amparo à vida estudantil que devem ser reconhecidos Nós temos bolsas de iniciação científica, bolsa alimentação, residência, nós temos essa bolsa creche. A universidade está fazendo o que pode”, declarou.

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