Foto :João Marcos Rosa/AmazonFace

Para quem conhece de perto a Amazônia sabe que o contato com a mata ou a floresta proporciona uma sensação de bem-estar, tranquilidade, alívio do estresse e das preocupações. E que tal vivenciar uma imersão na floresta amazônica, estando na área central de Manaus, por meio de experiências sensoriais?

Com fotos, ilustrações, painel com dados e imagens de concentração de gás carbônico captados por escâner a laser e uma diversidade de sons da floresta, uma exposição no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC) mostra resultados de pesquisas do programa AmazonFACE sobre os efeitos das mudanças climáticas no futuro na floresta Amazônica. O AmazonFACE é um programa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) executado pelo Inpa.

 

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Aberta na terça-feira (11), a exposição Amazônia e Mudanças Climáticas: um futuro em fotos, ilustrações e ciência segue até 11 de novembro, no Paiol da Cultura, dentro Bosque da Ciência do Inpa, localizado na rua Bem-te-vi, s/nº, Petrópolis. A curadoria é do artista suíço Marcus Maeder, da Universidade das Artes de Zurique. A portaria do bosque funciona de terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 16h, e sábado e domingo, das 9h às 16h.

“Aliar a ciência com a arte é uma tendência. E essa exposição do AmazonFACE que trata sobre mudanças climáticas chega num momento muito importante”, disse a diretora do Inpa, a pesquisadora Hillandia Brandão, destacando que há mais de 20 anos o Instituto desenvolve pesquisas de interação da atmosfera com mudanças na floresta.

Na aberturada exposição, Maeder fez uma apresentação dos sons que ele captou na floresta da água e seiva passando por dentro de galhos de árvores, troncos, raízes e também do processo de decomposição foliar no solo, além dos sons no ambiente de floresta. “Aqui temos sons de um ano atrás e da semana passada captados na ZF2, onde acontecem os experimentos do AmazonFACE, com microfones especiais instalados em diferentes profundidades e cujos sons captados são depois transformados em música”, explicou o artista.

Para o presidente do Comitê Científico do AmazonFACE, David Lapola, a ciência vive um momento crítico no Brasil e no mundo, um momento de certo descrédito, e em parte isso se deve à dificuldade que os pesquisadores encontram em comunicar seus resultados. “Precisamos nos esforçar um pouquinho mais para traduzir nossos estudos complexos ou não, para a população de forma geral, para que a importância da ciência fique mais clara para a população”, reconheceu Lapola, que é pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Segundo Lapola, os efeitos das mudanças climáticas serão sentidos por toda a sociedade e isso não é problema só da ciência. “Num futuro, talvez bem próximo, vários setores socioeconômicos da região vão começar a sentir esses efeitos. Então, nada melhor do que abrir de forma paulatina esse assunto para a sociedade, sobre o que vai acontecer, para que as várias instâncias saibam tomar as decisões de como enfrentar o problema”, destacou.

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Na exposição, o visitante encontrará cerca de 30 fotos (60 x 40cm) captadas pelas lentes do fotógrafo de natureza João Marcos Rosa, que tem fotolivros publicados, como o Harpia, e realizou trabalhos para revistas como a National Geographic. A exposição inclui ainda desenhos do ilustrador Rogério Lupo, profissional em ilustração botânica e de ecologia de paisagens.

Temos a percepção de que o Paiol da Cultura é um espaço privilegiado que o Inpa tem dentro do Bosque da Ciência. E temos procurado trazer exposições e mostras artísticas que permitam estabelecer o diálogo da arte com a ciência que o Inpa produz, de modo que para o visitante além de ser uma experiência bonita, cultural, artística e interessante, também agrega conhecimento”, disse a coordenadora de Extensão do Inpa, Rita Mesquita.

AmazonFACE

O AmazonFace busca entender o que acontecerá com a floresta em um cenário futuro de mudanças climáticas, de 50 a 100 anos. Pelas projeções do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), a concentração de dióxido de carbono na atmosfera continuará subindo. Estima-se que em 50 anos estará em cerca de 600 ppm (partes por milhão), hoje está em cerca de 400 ppm. Este é o cenário que o AmazonFace quer simular dentro da floresta.

 

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“Nosso experimento vai imitar essas condições numa parcela grande da floresta. Vamos aspergir CO2 na copa das árvores por um período longo de dez anos, para vermos hoje o que acontecerá com a floresta amanhã”, contou o gerente executivo do AmazonFACE, o pesquisador do Inpa, Carlos Alberto Quesada.

As projeções apontam que o planeta vai ficar mais quente nesse período – na região de Manaus a temperatura deve subir até cinco graus Celsius –, o ambiente vai ficar mais seco como uma savana, terá 60% a menos de chuva e terá mais gás carbônico. Segundo Quesada, a questão que determinará como a floresta será no futuro é justamente à resposta ao CO2, um dos principais gases do efeito estufa e base da nutrição da floresta pelo processo da fotossíntese.

“Então, às vezes, tendo mais CO2, acreditamos que a floresta possa ficar mais forte, mais resiliente, e que aguente mais o aumento de temperatura, e aí teremos ainda uma floresta daqui a 100 anos”, disse Quesada. “Se hoje no AmazonFACE não encontrarmos esse efeito e descobrirmos que só tem o lado  ruim, aí a teremos a chance de nos preparar para o futuro com ações de mitigação, adaptação, porque saberemos que muita coisa ruim virá pela frente”, completou o pesquisador do Inpa.

 

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