Foto: Alex Pazuello

Aberta ao público a partir do dia 27, sexta-feira, exibição traz imagens captadas pelo profissional amazonense em viagens em Manaus e no interior do Estado nos últimos dez anos

 Há mais de dez anos viajando pelos municípios do interior do Amazonas no trabalho como fotojornalista, Alex Pazuello dedicou muito de suas horas vagas a produzir registros singulares da natureza, da vida e da cultura da Amazônia. Parte desses registros agora poderá ser vista pelo grande público nos salões do Centro Cultural Palácio da Justiça, onde o fotógrafo amazonense inaugura a exposição “Amazone-se”, na próxima quinta-feira (26), às 18h.

 Após a abertura, a exposição terá visitação gratuita e aberta ao público em geral de terça a sexta-feira, das 9h às 14h, e aos domingos, das 9h às 13h. A exibição segue em cartaz no Centro Cultural Palácio da Justiça até março de 2018, numa realização do Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura.

 “Amazone-se” reúne uma seleção de 20 fotografias, trazendo imagens captadas por Alex Pazuello em Manaus e no interior do Estado, de 2004 até os dias atuais. A curadoria da exibição ficou a cargo de Cesar Oiticica Filho, fotógrafo, cineasta e artista audiovisual, e ainda amigo de infância a quem Pazuello aponta como sua primeira influência no interesse pela fotografia.

 Os registros incluídos na exposição incluem desde retratos de caboclos e indígenas até grandes paisagens da floresta, passando por cenas do dia a dia de moradores da região nos trajetos em barcos de recreio ou na pesca de pirarucu. Além de Manaus, Anamã, Lábrea, Manacapuru, Manicoré, Nova Olinda do Norte, Novo Airão, Presidente Figueiredo, Santa Isabel do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira, Tabatinga, Tefé e Urucará estão entre os pontos na “geografia” da mostra.

 Alguns instantâneos captam imagens singulares, como a do colorido de barcos típicos amazônicos reunidos, feita em Manaus, em 2004; os tons deslumbrantes de um cocar confeccionado na comunidade indígena de Belém do Solimões, em Tabatinga, a 1.110 quilômetros da capital amazonense; ou a de um menino de pé sobre uma mesa submersa num rio, em frente à floresta, em Barcelos, a 401 quilômetros de Manaus.

 Paisagens ‘congeladas’ – Em suas viagens pela região, Alex Pazuello lembra que fazia registros sem se prender a um tema ou objetivo específico. “Fotografar era como se eu fizesse pequenos recortes de uma cultura singular e carregada de muita história e de muita força da qual fazia e faço parte”, descreve o fotógrafo.

 As imagens reunidas na exposição, ele define, são “reflexões de um lugar que gostaria que permanecesse exatamente como nas fotografias, congeladas por maior tempo possível”. Com a mostra, o fotógrafo busca instigar o questionamento entre os espectadores e apresentar a proposta que dá título à exibição: “Convido a todos a refletirem e se perguntarem, ‘O que posso fazer para contribuir e preservar o Amazonas?’ Amazone-se”.

 À frente da curadoria, Cesar Oiticica Filho reitera a indagação do fotógrafo amazonense. “Olhando uma das imagens, do menino sobre a tábua de uma mesa alagada, no tempo de cheia, olhando para a floresta, podemos indagar até quando esta mata existirá. Diante de tamanha beleza podemos também nos questionar o que estamos fazendo para esse tempo congelar, para que o ‘progresso’ implacável desacelere suas devastadoras mudanças dessas lindas paisagens”, avalia.

 Oiticica Filho destaca ainda o olhar raro que Pazuello adquiriu em sua trajetória na fotografia. “Sempre estudando e trabalhando com a imagem fotográfica, ele passou a dispensar um novo olhar sobre sua região e, percebendo sua riqueza poética e plástica, somou à sua linguagem ao mesmo tempo o olhar do nativo e o do forasteiro”.

 “Alex Pazuello, nosso eterno Leleco, com certeza está fazendo sua parte para congelar esse processo, para acordar cada um de nós com suas imagens poéticas e nos lembrar que ainda temos um lugar no mundo onde a natureza existe e vibra em sua plenitude”, complementa o curador.

 Trajetória – Nascido em Manaus, em 1969, Alex Pazuello começou a se interessar por fotografia nos anos 1980, por influência dos amigos, Cesar Oiticica Filho e Lula Sampaio. Na busca por formação no segmento, mudou-se em 1990 para o Rio de Janeiro, onde cursou graduação em Jornalismo e trabalhou como assistente para fotógrafos publicitários de renome à época, como Dario Zalles e Ayrton Camargo.

 Em 1995, transfere-se para Nova York, onde se dedicou ao estudo de fotografia de moda, na School of Visual Arts (SVA), e fotografia de grande formato, no International Center of Photography (ICP). Atuou também como freelancer para vários fotógrafos da metrópole norte-americana, experimentando e aprendendo diferentes técnicas, tendo trabalhado por dois anos como primeiro assistente e gerente de um dos principais estúdios nova-iorquinos de fotografia, o Hashi Studio.

 De volta ao Brasil, em 2001, muda-se para São Paulo, onde trabalha para revistas como “Isto É Gente”, “Valor Econômico” e “Off Shore”. Em 2004, de volta a Manaus, realiza sua primeira exposição, “Corpos Luzentes”, no Centro Cultural Usina Chaminé. Trabalhou no jornal “Amazonas Em Tempo”, tendo tido seu talento reconhecido no Grande Prêmio Ayrton Senna de Jornalismo, categoria Fotojornalismo.

 Atualmente, em paralelo ao trabalho na Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom) da Prefeitura de Manaus, desenvolve os projetos “Invisíveis”, retratando desde 2004 trabalhadores das feiras Panair e Manaus Moderna; e “Amazone-se”, reunindo uma seleção dos registros de suas viagens pelo Amazonas.

 Sobre o Centro Cultural Palácio da Justiça – Aberto em 2006, num prédio originalmente edificado para abrigar o Poder Judiciário do Amazonas, inaugurado em 1900 e tombado pelo Patrimônio Histórico estadual em 1980, é um centro cultural voltado à promoção das artes, com espaço para exposições, espetáculos musicais, teatro, cinema, palestras e outras atividades.

 Promove gratuitamente vasta e eclética programação cultural com exposições de artistas locais, nacionais e internacionais, cinema, teatro, música, júri simulado realizado por estudantes dos cursos jurídicos, visitas guiadas às salas tradicionais do Palácio, como o Gabinete do Presidente, sala do Tribunal Pleno e sala do Tribunal do Júri. Todas com mobiliário de época. Abriga ainda um Gabinete de Leitura, com um acervo de mais de mil títulos, constituído na maior parte por obras de Direito.

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