“Eles querem que a gente volte na semana que vem, mas eu não tenho condições. Foi por pouco que a gente não morreu.” Diz professora

A professora Jussara Aparecida de Melo dava aulas de espanhol no Centro de Línguas que fica na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano e relata como conseguiu salvar a vida de seus alunos e a própria vida. “Eu fechei a porta e pedi para todos ficarem abaixados atrás das carteiras. Apaguei a luz e pedi que não gritassem. Fui para trás da minha mesa depois”, diz.

Em entrevista a G1  a professora conta que as portas das salas de aula da escola não trancam, e ela e os alunos improvisaram uma barricada para impedir a entrada dos assassinos. Felizmente a Polícia Militar chegou a tempo de evitar que o massacre chegasse até aquela sala.

Um deles chegou na porta e disse: ‘Hoje é o dia que todo mundo vai morrer’. Eu nem sei se ele me viu, mas eu empurrei a minha mesa para fechar a porta. E soube depois que vários professores escoraram com próprio corpo a porta”, contou Jussara.

Emocionada, a professora afirma que não sai de casa desde o dia do massacre e confessa que não tem condições de voltar para a escola. “Eles querem que a gente volte na semana que vem, mas eu não tenho condições. Foi por pouco que a gente não morreu.”

“Meus alunos pediam a Deus para não morrer. Foi Deus que impediu eles de fazerem mais mortos naquela escola. Eu nunca senti tanto medo em toda minha vida”, relata Jussara.

Há quase duas décadas trabalhando na Escola Raul Brasil, Jussara considerava a unidade como a sua segunda casa.

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