Dia 19 de março – Dia do Artesão

O Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado do Trabalho (Setrab), promete levar o artesanato amazonense para os principais eventos do gênero este ano. Peças típicas de nossa cultura já estão garantidas para embarcar rumo aos destinos como a Fenearte 2016 (maior feira de artesanato da América Latina, marcada para acontecer de 7 a 17 de julho, em Olinda, no Recife) e a Feira Nacional de Artesanato 2016 (que acontece de 6 a 11 de dezembro, em Belo Horizonte, Minas Gerais). Além disso, nosso artesanato fará parte de exposição montada especialmente durante as Olimpíadas do Rio de Janeiro, no Píer Mauá, em agosto. Para dar transparência ao processo, a secretaria irá abrir edital para o processo de seleção dos participantes.

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FOTO: NATHALIE BRASIL

Na véspera do Dia do Artesão, comemorado no dia 19 de março, a coordenadora do Programa do Artesanato Amazonense, Claudia Monteiro, destaca a importância da participação dos nossos artesãos nas feiras ligadas ao setor. “O grande gargalo é que eles não têm meios para escoar a sua produção, o que acaba abrindo espaço para ação de atravessadores. Por isso, esse trabalho é essencial para que os artesãos exponham suas peças e ganhem autonomia para negociar posteriormente”, explica Claudia. Em 2015, os artesãos do Amazonas comercializaram mais de R$ 1,5 milhão com a venda direta de suas peças em feiras.

“O Governo do Estado tem cumprido com sua finalidade, incentivando a participação dos nossos artesãos em feiras locais, nacionais e internacionais, como uma forma de comercializar os produtos, além de proporcionar para esses trabalhadores troca de experiências e conhecimento de novos nichos de mercado. O artesanato tem uma grande participação na economia do Estado e a proposta da secretaria é incentivar ainda mais o setor”, destaca o secretário executivo da Setrab, Breno Ortiz.

Carteira Nacional do Artesão – Para ter a possibilidade de participar das feiras, além de oficinas e cursos de capacitação, os interessados devem possuir a Carteira Nacional do Artesão, expedidas gratuitamente pela Setrab. Com ela, o artesão pode vender legalmente seu produto e ter acesso a Nota Fiscal Avulsa de Emissão Eletrônica (e-NFA), ficando isento ainda do pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).  Para confirmação do registro junto ao Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro (Sicab), o artesão passa ainda por uma prova de habilidades técnicas, cuja aprovação fica por conta da Coordenação Estadual de Artesanato.

Cadastramento – A Secretaria de Estado do Trabalho tem um cronograma montado de cadastramento e consequente emissão da Carteira Nacional do Artesão para os próximos meses. A ideia é percorrer 19 municípios do Estado realizando esse trabalho que, devido às peculiaridades geográficas da região, requer um pouco mais de planejamento, segundo explica a coordenadora do Programa do Artesanato Amazonense.

“É essencial o apoio de prefeituras e comunidades para que tenhamos acesso a essas pessoas. Dentro do nosso cronograma, por exemplo, sabemos que somente na comunidade de Iauaretê, em São Gabriel da Cachoeira, trabalham cerca de 200 artesãos, ou seja, um trabalho que irá demandar tempo e infraestrutura adequada para ser realizado”, explica Claudia. De acordo com dados da Setrab, já foram cadastrados no Amazonas 3,3 mil artesãos. Somente em 2015, o número de cadastro chegou a 488, com 272 carteiras expedidas.

Experiências – Exemplos não faltam de quem investiu no artesanato e hoje conta com orgulho das conquistas advindas da profissão. Com 75 anos de idade, o mestre artesão Marcelino dos Santos Borges trabalha desde muito cedo com a fabricação de barcos regionais feitos a partir do talo de buriti. Foi com a venda dos produtos que ele construiu a casa que mora com a família, no bairro da Redenção.

“Tinha gente que dizia pra mim que era trabalho de preguiçoso, mas eu persisti. Antes fazia uns barcos maiores, foi quando me deram a dica para passar a produzir esses barquinhos, mais fáceis de vender. Fiz isso e me dei bem”, brinca Seo Marcelino, cujas peças já foram levadas para feiras na Itália e Portugal, por meio da intermediação da Setrab. Em seu ateliê, que funciona no quintal de sua casa, são produzidos cerca de 200 barquinhos por mês, o que lhe permite uma renda média de R$ 2 mil. Cada um deles é  comercializado a R$ 10. “Minhas mãos viraram uma máquina. Não troco meu trabalho por nada. Sou dono do meu próprio negócio. Só quem manda em mim é Deus”, destaca o mestre artesão.

Outra que tem motivos para festejar seu dia, neste sábado, é a dona Delia Veloso Fonseca, coordenadora da União das Mulheres Artesãs Indígenas (UMAI). Há seis anos ela comercializa seus produtos em espaço montado nas dependências do Millennium Shopping. São bolsas de piaçava e acessórios como pulseiras, brincos, colares e anéis machetados, que volta e meia são levados para outros Estados do País como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Foi o artesanato que proporcionou a dona Delia trazer seu filho de São Gabriel da Cachoeira para Manaus a fim de cursar a faculdade de Engenharia da Informação. “Tenho muito orgulho da nossa profissão e estou sempre preocupada em melhor atender meus clientes. Agora estou pensando em fazer faculdade de Design. Quero assinar as minhas bolsas”, planeja a artesã.

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