FOTOS: Valdo Leão e Divulgação/Susam

Com a chegada do mês das tradicionais festas juninas e com o início da Copa do Mundo, acende o alerta para o risco de queimaduras provocadas por fogos de artifício e foguetes, muito utilizados nessas comemorações, além de balões e fogueiras típicos da época. Em geral, o mês de junho é o de maior número de casos do tipo, informa o secretário estadual de Saúde, Francisco Deodato. Este ano, com a realização da Copa, diz ele, aumenta ainda mais a preocupação.

No Dia Nacional de Luta Contra Queimaduras, nesta quarta-feira (06), o cirurgião plástico Carlos Medeiros alerta para os cuidados preventivos e o tratamento, em caso de ocorrência desse tipo de acidente. Medeiros é coordenador do Centro de Tratamento de Queimaduras (CTQ) do Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, unidade da Secretaria de Estado de Saúde (Susam) referência nesse tipo de atendimento.

Segundo  ele, os riscos com o uso de fogos de artifício não são apenas de queimaduras. A manipulação incorreta desse tipo de material pode levar à mutilação de dedos, mãos e rosto. “O ideal é que seja manipulado somente por profissionais treinados, porém, sabemos que no dia a dia isso não ocorre. O uso é indiscriminado e, inclusive, por crianças”, destacou.

Em 2017, foram registrados no Centro de Tratamento de Queimados, 160 atendimentos, sendo o mês de junho o de maior ocorrência, com 17 casos. Os dados são referentes a queimaduras em adultos. No Pronto-Socorro Infantil da Zona Sul (PSIZS), unidade de referência da Susam para atendimento a crianças com queimaduras, foram 91 casos, de janeiro a dezembro de 2017.

Prevenção – O médico Carlos Medeiros ressalta que a prevenção é a melhor maneira de evitar as queimaduras causadas por fogos de artifício, foguetes, balões e fogueiras. No caso dos fogos, a recomendação é de que a explosão ocorra a uma distância de 30 a 50 metros de onde tenha pessoas, fiações elétricas, carros e edificações. Além disso, nunca devem ser acionados em ambientes fechados. “É preciso ter responsabilidade ao manusear fogos, principalmente, com crianças por perto, porque podem causar queimaduras de até terceiro grau”, adverte o médico.

Carlos Medeiros alerta, também, para a importância de observar a fabricação do produto, para não usar material de origem caseira. “No momento da compra, é importante ler o rótulo, verificar a data de validade e seguir as dicas do fabricante para uso do material”, frisou.

No caso das fogueiras, a orientação é para que os pais mantenham atenção nas crianças, para que não cheguem próximo ao fogo. “As crianças, principalmente as pequenas, não têm a noção do perigo que o fogo representa”, afirmou.

Primeiros-Socorros – De acordo com Carlos Medeiros, queimaduras que apresentam apenas vermelhidão e deixam a pele quente podem ser tratadas com compressas frias. Recomenda-se, ainda, o  uso de óleo mineral ou vaselina para deixar a área atingida hidratada.

No caso de lesão mais grave – com bolhas, inchaço e secreção –, a orientação é procurar o serviço de saúde, imediatamente. Se o acidente tiver acontecido pela manipulação incorreta de fogos de artifício, o médico aconselha para que não se tente retirar as roupas grudadas nos ferimentos, nem qualquer outro fragmento que estiver na pele. O serviço de urgência deve ser acionado.

O uso de ‘receitas milagrosas’, como passar pomadas, pó de café, manteiga e pasta de dente, não é recomendado. “Esses produtos aumentam as chances de infecção no local machucado”, disse ele.

Centro de Queimados –  O Centro de Tratamento de Queimaduras do Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto é uma das poucas unidades do país que são referência nesse tipo de atendimento. No CTQ são atendidas vítimas de queimaduras causadas por explosões, descargas elétricas, produtos inflamáveis e acidentes domésticos.

A diretora do Hospital 28 de Agosto, Claudia Teixeira, explica que o CTQ possui uma equipe multidisciplinar, formada por sete médicos cirurgiões plásticos e 30 intensivistas, além de fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos e nutricionistas.

O CTQ possui  centro cirúrgico próprio, enfermaria com 20 leitos, sendo dois de isolamento destinado a pacientes que apresentam risco de infecção. Em caso de catástrofe, ressalta a diretora, o CTQ está apto a transformar os 20 leitos de enfermaria em Unidades de Terapia Intensiva (UTI).

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