Foto:EdsonPiola/PortaldoAmazonas.com

O aumento da captura acidental de filhotes de peixes-bois-da-amazônia em redes de pesca no Amazonas, nas últimas semanas, preocupa cientistas do Instituto

Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC). Do dia 31 de maio até meados de junho foram cinco capturas de filhotes da espécie ameaçada de extinção, dos quais três já chegaram ao Instituto e estão sob cuidados. Em um ano, o Inpa recebe de 10 a 12 animais.

De acordo com o veterinário Anselmo D’Affonsca, o estado geral dos animais é bom, mas por serem muito pequenos inspira cuidados. “Antigamente a gente recebia quase 80% dos filhotes em péssimas condições, hoje é o contrário”, contou.

A instituição está planejando uma campanha de sensibilização para orientar pescadores e comunitários a como proceder no caso de captura acidental de filhotes de peixes-bois em redes de pesca, a mais comum é a malhadeira. Se o filhote ficar preso na malhadeira e aparentemente está em bom estado de saúde, ainda que com pequenos arranhões e cortes superficiais, a orientação é soltá-lo imediatamente porque a mãe pode estar próxima, mesmo que a pessoa não a veja. O animal possui “ótima cicatrização”.

Conforme D’Affonseca, a reprodução do peixe-boi está associada ao ciclo hidrológica da Amazônia. O pico dos nascimentos ocorre de fevereiro a maio quando as águas já subiram e há uma farta oferta de alimento para as fêmeas que estarão em período final de gestação ou amamentando, o que exige alta demanda energética. “Mês de junho não é comum recebermos filhotes. Isso acontece nos meses anteriores, e ainda estamos tentando entender o que houve para recebermos essa ‘chuva de filhotes’ agora”, contou.

Herbívoros, na natureza os peixes-bois se alimentam de plantas aquáticas como capim membeca, capim-navalha e mureru. No cativeiro, o cardápio é complementado com vegetais como abóbora, cenoura, feijão de metro e couve.

Mamífero aquático mais caçado do país, o peixe-boi enfrenta ainda outras ameaças como a destruição e degradação ambiental. A caça do animal é proibida desde 1967, porém a carne ainda é muito apreciada na região, exigindo um intenso trabalho de sensibilização ambiental e de fiscalização.

Saiba mais

A reprodução do peixe-boi começa tarde, por volta dos dez anos de idade, com a gestação levando 12 meses. A fêmea dá a luz a apenas um filhote a cada três anos e amamenta o filhote por dois anos. Parente do elefante, o peixe-boi adulto pode medir até três metros de comprimento e chegar a quase meia tonelada. Na natureza, o peixe-boi pode viver até 60 anos. No cativeiro do Inpa tem animal com mais de 40 anos.

Fonte:Cimone Barros (texto)– Ascom Inpa

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