FOTO: DIVULGAÇÃO/SUSAM

Mulher de riso fácil, que anima todos à sua volta, dona Leonice Ferreira de Castro, de 76 anos de idade, acaba de passar por uma fase difícil na vida. Diagnosticada, ano passado, com um câncer de endométrio, ela afirma que se apegou à fé para superar a doença. “Fui tratada com muito carinho por todos da FCecon. Isso também me ajudou, pois tive a atenção que precisava, em especial, dos meus médicos”, afirmou.

Considerado no Brasil a terceira entre as neoplasias malignas pélvicas no sexo feminino, a doença tem mais de 70% de chances de cura, quando descoberta na forma precoce, explica o cirurgião oncológico da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), Higino Figueiredo.

Foi o que ocorreu com a aposentada Leonice de Castro, que chegou ao diagnóstico precoce buscando ajuda médica, após identificar alguns sintomas. Hipertensa e com sobrepeso, em janeiro do ano passado, ela começou a apresentar sangramento uterino anormal. Preocupada, procurou um especialista, que identificou alterações no útero e a encaminhou à FCecon para exames mais detalhados. “Na FCecon, fiz os procedimentos necessários para a cirurgia, entre eles a videohisteroscopia. À época, o diagnóstico foi de um tumor maligno. Em setembro, fiz a cirurgia. Foi tudo muito rápido entre o sintoma, descoberta da doença e a cirurgia, realizada no dia 4. O pessoal do hospital está de parabéns pelo atendimento. Só tenho a agradecer por hoje estar bem e com saúde”, declarou.

Estimativa e incidência – De acordo com a projeção mais recente do Instituto Nacional do Câncer (Inca), órgão subordinado ao Ministério da Saúde (MS), o câncer de endométrio tem previsão de 50 casos no Amazonas, em 2018. “Pelo menos três quartos (¾) dos diagnósticos da doença, são registrados em mulheres com mais de 50 anos”, explicou o cirurgião oncológico Higino Figueiredo.

Diferente de outros tipos de câncer, que na fase inicial são assintomáticos, o câncer de endométrio tem como principal sinal de alerta, o sangramento vaginal pós-menopausa, o qual ocorre, geralmente, na fase inicial da doença. “Nesses casos, indicamos exames como ultrassonografia transvaginal seguida de videohisteroscopia com biópsia. Após esse processo, será possível saber se há alguma alteração com característica maligna. O diagnóstico é fechado após a análise patológica, que descartará ou apontará a presença de neoplasia maligna”, explicou o especialista. O tipo mais frequente de câncer no endométrio, atualmente, é o adenocarcinoma endometrióide.

Os fatores de risco associados à doença, segundo Higino Figueiredo, são: obesidade (principalmente quando associada à hipertensão), menopausa tardia (após os 52 anos), início precoce da menstruação, diabetes, reposição hormonal por longo período (em especial, durante a menopausa), ter câncer colorretal ou de ovário, utilizar de forma prolongada alguns medicamentos antineoplásicos que provoquem mudanças na produção hormonal, e o fator hereditário, responsável por, em média, 10% dos casos de câncer no mundo.

Ele destaca que o principal fator desencadeador do câncer de endométrio, quando se trata da obesidade, é o desequilíbrio entre a produção de dois importantes hormônios para o corpo feminino: o estrogênio e a progesterona. O mesmo processo contribui também para a formação de tumores malignos nas mamas, por exemplo. “O crescimento anormal do endométrio pode ser provocado pela produção elevada de estrogênio, quando o nível da progesterona está baixo. Isso ocorre porque a progesterona tem o papel de neutralizar os efeitos ruins do estrogênio. Esse desequilíbrio também pode causar hiperplasias benignas no endométrio, as quais exigem um tratamento especializado, mas neste caso, não oncológico”, reforçou o cirurgião.

Por outro lado, ele lembra que existem formas de reduzir o risco de desenvolvimento do câncer de endométrio. Um deles é a gravidez, que protege o corpo uterino. Evitar os fatores de risco, manter uma alimentação saudável e praticar exercícios físicos regularmente também ajudam. “Também reforçamos que, mesmo após o tratamento oncológico, o exame de Papanicolau, popularmente conhecido entre as mulheres como preventivo, ainda se faz necessário para detectar, entre outras alterações, eventuais recidivas na vagina”.

Tratamento – O tratamento para o câncer de endométrio em fase inicial (estágio I) é, geralmente, cirúrgico. “Quando o estadiamento (extensão da doença) é favorável para um tratamento cirúrgico, optamos pela histerectomia radical total por videolaparoscopia. O procedimento, que já é padrão na FCecon, é considerado minimamente invasivo e inclui a retirada do útero com remoção do tumor, através de pinças e incisões de poucos centímetros, viabilizando uma recuperação mais rápida à paciente”, esclareceu. De acordo com ele, em média seis procedimentos desse porte, para o tratamento do câncer de endométrio, são realizados no Centro Cirúrgico da FCecon, todos os meses.

Higino Figueiredo destaca que uma parcela das pacientes diagnosticadas com a doença, tem indicação de complementação terapêutica com radioterapia e braquiterapia (modalidade de radioterapia interna), denominada adjuvante (após o tratamento principal), promovendo um melhor controle da doença”, concluiu.

A quimioterapia, que ajuda a compor o tripé da oncologia, só é indicada em casos de doença metastática (disseminada para outros órgãos). Após o tratamento, as pacientes são acompanhadas por cinco anos, com consultas e exames periódicos, até receberem o certificado de alta oncológica.

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