Foto: Ruth Jucá
Foto: Ruth Jucá

 

Balé Experimental do Corpo de Dança do Amazonas encena o espetáculo “Plutão (Já foi planeta)” nesta sexta-feira (dia 27), no Teatro da Instalação, e na terça-feira (31), no Teatro Amazonas

O Balé Experimental do Corpo de Dança do Amazonas levará ao público mais uma vez a montagem da temporada de “Plutão (Já foi planeta)”. O espetáculo, que faz parte do projeto “Alma de Um Poeta”, será encenado nesta sexta-feira (dia 27), às 19h, no Teatro da Instalação, e na terça-feira (31), às 20h, no Teatro Amazonas. As apresentações fazem parte do calendário cultural do Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, e terão entrada gratuita.

Desenvolvido pelo coreógrafo Rodrigo Vieira, “Plutão (Já foi planeta)” discute, por meio da cenografia e da performance dos bailarinos, o desprestígio de Plutão, considerado um planeta anão, em relação aos outros planetas do Sistema Solar.

Dessa forma, a montagem leva ao palco questionamentos relativos ao comportamento da sociedade, como a intolerância às minorias, resultando em discriminação, preconceito, racismo, homofobia, entre outros problemas.

Esse espetáculo, além de entreter, tem o intuito de fazer com que os espectadores reflitam sobre seu comportamento individual perante as diferenças.

A proposta do projeto “Alma de Um Poeta” (iniciado em 2015) primeiramente é lapidar os estudos coreográficos do Balé Experimental, contribuindo para o desenvolvimento técnico e artístico dos bailarinos.

Para “Plutão (Já foi planeta)”, espetáculo da atual temporada da iniciativa, Rodrigo Vieira buscou criar uma metáfora que mistura ciência e misticismo, e ainda, a discussão sobre renascimento e morte através do sarcasmo.

A montagem é inspirada no poema “Tempo de Uiaúa”, do escritor, teatrólogo e jornalista amazonense, Aníbal Beça (1946-2009), como forma de também homenagear o legado desse artista.

O Balé Experimental do Corpo de Dança do Amazonas existe há quatro anos e, desde sua criação, prepara jovens bailarinos de 15 a 23 anos para o mercado de trabalho local, nacional e internacional. Fazem parte da companhia ex-alunos do Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro, ex-participantes de danças urbanas e ainda acadêmicos da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Entre os bailarinos da companhia está Remilton Souza, 23, integrante desde 2014. O jovem, que iniciou na dança aos 15 anos, participou das audições para o Balé Experimental enquanto atuava num grupo de Dança Internacional.

“Minha visão antes de entrar para o Balé era totalmente diferente. Eu não conhecia como era uma companhia profissional de dança contemporânea. Na audição eu estava totalmente inseguro, pois os outros participantes estavam aparentemente mais preparados. Foi aqui que comecei a enxergar a dança como uma profissão, apesar da minha certeza em querer ser bailarino”, afirma ele.

Participar do Balé Experimental proporcionou a Souza oportunidades inesquecíveis, além de êxito pessoal e profissional. “Foi por meio da dança que eu conheci pessoas maravilhosas e lugares incríveis. Um dos momentos inesquecíveis foi participar da comissão de frente de uma escola de samba. Olhar aquela multidão me aplaudindo não tem preço. A dança também já me permitiu viajar, pois participei de um festival em São Paulo”, destacou o bailarino.

Para Souza, que em vários momentos teve a oportunidade de se apresentar no palco do Teatro Amazonas, de todos os lugares em que já se apresentou este é o de maior prestígio. “Antes de ser bailarino, eu só tinha entrado no teatro no passeio da escola. Houve uma apresentação recentemente em que recebemos vários estudantes na plateia, e isso me emocionou bastante, pois lembrei que já estive no lugar deles”.

Souza conta que, na preparação para “Plutão (Já foi planeta)”, os bailarinos trabalharam não apenas o corpo, como também os sentimentos. Os integrantes participaram até de uma oficina com um astrólogo, para que pudessem compreender a influência dos astros nos sentimentos de cada indivíduo.

“Esse espetáculo não é apenas algo que o público senta e assiste. Para a construção dessa montagem foi necessário resgatar os nossos sentimentos mais profundos, e é isso que queremos repassar para o público: que ele possa sentir e refletir assim como nós”, finalizou o bailarino.

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