Foto: VALDO LEÃO/SECOM

O Governo do Amazonas deu início no Estado, nesta quinta-feira (07/12), à campanha de combate ao Aedes aegypti, mosquito transmissor da Dengue, Chikungunya e Zika. No evento, realizado no bairro Alvorada I, na zona centro-oeste de Manaus, autoridades estaduais, municipais e comunitários se comprometeram em manter a vigilância contra essa que é uma das principais ameaças à saúde da população, nesta época chuvosa.

A ação, que envolve a Secretaria de Estado de Saúde (Susam), por meio da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e o Comando Militar da Amazônia (CMM), faz parte da mobilização denominada de “Dia D”, celebrada nacionalmente no dia 8 de dezembro. Como no Amazonas a data é feriado estadual, o Estado antecipou sua programação para o dia 7.

“O Dia D é de suma importância para conscientizar a população dos cuidados que temos que ter com relação à Dengue, Chikungunya e Zika. Há pouco mais de dez anos, a gente não ouvia falar de patologias como a Chikungunya e a Zika, que são novas, exatamente por causa de um mosquito que vem se mutando, trazendo grandes problemas. E esse é um tipo de problema de saúde que a gente só resolverá com a participação efetiva da sociedade”, disse Denise Machado, secretária Executiva Adjunta de Atenção Especializada da Capital da SUSAM.

O líder comunitário Joaci de Souza, o “Jacaré”, prometeu mobilizar a comunidade para que o Alvorada I saia da lista dos nove bairros com classificação de alto risco para doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. “Foi uma surpresa saber que o Alvorada I está nesse ranking. Vamos fazer o dever de casa, sair desse número. Nosso objetivo é ensinar aos mais jovens e crianças sobre o perigo de deixar água parada. Temos que evitar que o mosquito faça vítimas”, prometeu Jacaré.

O Alvorada I foi escolhido para sediar o evento, que marcou o pontapé da campanha do Dia D, porque no último Levantamento do Índice de Infestação Rápido por Aedes aegypti (LIRAa), realizado em novembro, foi apontado como um dos nove bairros com classificação de alto risco. No Alvorada I, II e III, a mobilização da campanha contra o mosquito vai envolver 25 escolas municipais, 48 escolas estaduais, 17 unidades de saúde e 168 agentes de endemias, que atuam diretamente nas ações de mobilização social naquela área.

Durante o evento desta quinta-feira, foi apresentado o modelo do projeto de “Brigada na Melhor Idade”, que foi implantado neste ano pela Universidade Aberta da Terceira Idade (UnATI). São grupos de idosos que se comprometeram em também integrar o exército de servidores estaduais e municipais que trabalham diariamente contra o Aedes aegypti.

O diretor-presidente da FVS, Bernardino Albuquerque, disse que o Amazonas é uma referência nacional na implantação, em instituições, das brigadas contra o Aedes aegypti. Ele reforçou em sua fala à comunidade a importância do envolvimento de cada cidadão com a campanha. “A participação da população é essencial, ou seja, que cada cidadão tire pelo menos dez minutos dentro de uma semana para verificar os locais onde o mosquito possa se reproduzir, que vai desde a questão da garrafa pet até as caixas d’água. Então, há a necessidade realmente dessa colaboração”, ressaltou Bernardino.

O secretário municipal de Saúde (Semsa), Marcelo Magaldi, destacou que Manaus conseguiu diminuir o número de casos das doenças causadas pelo mosquito em 2017, mas é preciso continuar vigilante. “A gente tem que estar muito atento. Os números melhoraram em 2017, mas precisamos cada vez mais redobrar a atenção, colocar toda a nossa brigada na rua para combater o mosquito. Temos milhares de pessoas preparadas para esse trabalho na cidade”, destacou Magaldi.

Segundo resultado geral do 3º LIRAa, realizado em novembro deste ano, 42 municípios do Amazonas apresentaram um índice de infestação de 1,5%, considerado de médio risco. Os dados foram encaminhados ao Ministério da Saúde para o levantamento do LIRAa nacional.

Segundo a FVS, 24 municípios apresentaram resultado abaixo de 1%, considerado baixo índice de infestação, 11 ficaram no patamar de médio risco, até 3,9%, e apenas quatro apresentaram índice considerado de alto risco, acima de 3,9%. São eles: Guajará (10%), São Gabriel da Cachoeira (6,1%), Nova Olinda do Norte (4,1%) e Lábrea (4%).

Bernardino Albuquerque disse que, assim como Manaus, todos esses municípios iniciaram nesta quinta uma grande mobilização para combater o mosquito. A forma de prevenção é não acumular água parada. O ciclo de evolução do Aedes é de sete dias, portanto, a FVS recomenda o trabalho semanal de verificação e eliminação desses depósitos no ambiente doméstico e no trabalho.

De acordo com o último boletim epidemiológico da FVS, em 2017, houve redução no Estado nas notificações de doenças provocadas pelo Aedes aegypti, em comparação ao ano passado. A Dengue teve redução de 48%, saindo de 14.635 casos, em 2016, para 7.675 este ano; a Zika reduziu 89%, saindo de 5.990 casos em 2016 para 646 em 2017. E a Chikungunya reduziu 43% – foram 971 casos em 2016, contra 549 em 2017.

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